Um estudo da organização independente Global Trade Alert aponta que Brasil e China são os países mais beneficiados pelas mudanças nas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entre os dias 21 e 22 de fevereiro de 2026.
Segundo o relatório, o Brasil terá a maior redução nas tarifas médias aplicadas pelos EUA, com uma queda de 13,6 pontos percentuais. A China aparece em seguida, com recuo de 7,1 pontos, e a Índia, com diminuição de 5,6 pontos.
A nova tarifa global anunciada por Trump foi ampliada em menos de 24 horas. Após anunciar uma alíquota de 10% — em resposta à decisão da Suprema Corte dos EUA que invalidou o “tarifaço” —, o republicano elevou o percentual para 15% no sábado (22). As taxas estão previstas para entrar em vigor às 00h01 (horário de Washington) da terça-feira (24) e atingem todos os países que mantêm relações comerciais com os EUA, com exceções para produtos como minerais críticos, agrícolas e componentes eletrônicos.
Com a reconfiguração, aliados importantes dos EUA, como Reino Unido (+2,1 pontos), União Europeia (+0,8 ponto) e Japão (+0,4 ponto), estão entre os que passarão a enfrentar tarifas médias mais altas.
O economista Johannes Fritz, responsável pela análise, afirmou ao Financial Times que as mudanças beneficiaram sobretudo os países mais duramente criticados pela Casa Branca e alvo de tarifas anteriores, como Brasil, China, México e Canadá. “Este regime tem uma duração potencial de apenas 150 dias. A administração sinalizou que agora se concentrará nas leis que permitem a imposição de tarifas. Portanto, na prática, o jogo recomeça do zero”, acrescentou.
O governo brasileiro comemorou a decisão da Suprema Corte. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a derrubada do “tarifaço” coloca o Brasil em condições de competitividade equivalentes às de seus concorrentes. Sobre o aumento da taxa global para 15%, Alckmin declarou que a mudança não provoca perda de competitividade para as empresas brasileiras porque a alíquota é aplicada de forma uniforme a todos os países. “Mesmo com a alíquota de 15%, como é igual para todo mundo, não perdemos competitividade. Em alguns setores, ela zerou. Zerou para combustível, carne, café, celulose, suco de laranja, aeronaves”, disse.
De acordo com cálculo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a decisão do tribunal americano de derrubar o “tarifaço” afeta US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras para os EUA.