O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se apequenou politicamente ao ficar de fora do lançamento da pedra fundamental da criação de um bloco de direita independente.
Enquanto os governadores Ratinho Júnior (PR), Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS), os três do PSD, lançavam ontem a pedra fundamental de uma direita democrática — ou uma direita sem Bolsonaro —, Tarcísio escolheu (ou foi obrigado) a ficar de fora.
Os três governadores aceitariam naturalmente a liderança de Tarcísio nesse processo. Ele tinha a faca e o queijo na mão para ser o mediador com o centro e as instituições. Jogou fora.
Ao optar pela submissão, Tarcísio se afasta do centro, vital para qualquer eleição majoritária, e se isola na extrema-direita.
Enquanto os governadores Caiado, Ratinho e Eduardo Leite discutiam temas nacionais, Tarcísio almoçava com o vereador do Rio, Carlos Bolsonaro (PL-RJ). No dia seguinte, a agenda foi visitar Jair Bolsonaro “escoltado” por Carlos. Tarcísio não foi à cadeia mostrar solidariedade a um líder. Simbolicamente, ele foi bater continência para um chefe.
A candidatura Porcina, “a que foi, sem nunca ter sido” da novela “Roque Santeiro”, apequenou a figura política de Tarcísio, transformando-o num apêndice do bolsonarismo e dependente das ordens do clã.
A prova definitiva do enquadramento de Tarcísio foi uma cena emblemática da coletiva de imprensa. A presença do vereador Carlos Bolsonaro logo atrás do governador não foi um gesto de apoio. Foi marcação cerrada. Carlos estava ali como uma sombra. O recado imagético foi claro: Tarcísio é um subordinado sob vigilância.
O vereador, que nas redes sociais trata Tarcísio como alguém que deve tudo ao pai, agiu como o interventor da família. Para Tarcísio, ter qualquer luz própria ou liberdade de articulação daqui para frente, precisará do carimbo do clã.
O governador perdeu o discurso de que era um Bolsonarista que comia de garfo e faca. Hoje, ficou claro que Tarcísio tem chefe. E o chefe não é o eleitor do centro.