O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comemorou publicamente o rebaixamento da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula (PT) no desfile do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro.

“Já vai tarde, rebaixamento muito bem vindo. Estou muito feliz pelo rebaixamento”, declarou Tarcísio durante entrevista coletiva. Questionado pela imprensa, o governador, que é carioca, classificou o desfile como “horroroso, de péssimo nível e péssimo gosto”, considerando o enredo infeliz.

A escola, que estreava na elite do carnaval carioca, desfilou com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, narrando a história do presidente. Alas do desfile e alegorias fizeram menções críticas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, principal padrinho político de Tarcísio.

“Apostou no divisionismo, resolveu atacar a família, resolveu atacar os evangélicos. Eu me senti agredido, várias pessoas de bem se sentiram agredidas, famílias se sentiram agredidas”, argumentou o governador.

A apresentação da Acadêmicos de Niterói enfrentou problemas técnicos, incluindo dificuldades na dispersão e alegorias que ficaram presas na saída da avenida. Durante a apuração, a escola recebeu apenas duas notas 10, resultando no rebaixamento.

O desfile gerou reações além da política, com pelo menos 10 ações judiciais questionando a apresentação ou exigindo a devolução de recursos públicos. No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, por unanimidade, pedidos de liminares contra a escola.

O episódio ocorreu em meio a recomendações da Comissão de Ética Pública da Presidência da República para que autoridades federais evitassem manifestações que pudessem ser caracterizadas como propaganda eleitoral antecipada durante o Carnaval.