Milhares de empresas norte-americanas celebraram uma vitória histórica nesta sexta-feira (20) após a Suprema Corte dos Estados Unidos decidir derrubar as tarifas de emergência impostas durante a administração Trump. A corte determinou que o ex-presidente Donald Trump não podia utilizar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) de 1977 para aplicar tarifas amplas sobre importações, uma decisão com potenciais repercussões na economia global.

No entanto, o processo de reembolso dos bilhões de dólares pagos em tarifas está apenas no início e promete ser lento e complexo. Segundo economistas do Penn-Wharton Budget Model, o valor a ser devolvido pode ultrapassar US$ 175 bilhões.

Reação dos mercados e desafios logísticos

Os mercados financeiros reagiram com otimismo à notícia, registrando altas nas bolsas dos EUA e da Europa, especialmente em ações de empresas afetadas, como as gigantes do luxo LVMH e Hermès.

“Não temos todos os detalhes, mas estávamos esperando por essa decisão, assim como muitas outras empresas, então é um dia esperado”, afirmou Michael Wieder, cofundador da Lalo, empresa norte-americana de produtos infantis que planeja solicitar cerca de US$ 2 milhões em reembolsos.

A logística dos reembolsos ficará a cargo do Tribunal de Comércio Internacional dos EUA, um processo descrito por especialistas como administrativamente complexo. “Reunir dados detalhados de importação para calcular as tarifas pagas sob diferentes regimes e períodos é um desafio, mesmo para multinacionais”, explicou Nabeel Yousef, do escritório de advocacia Freshfields.

Incerteza jurídica e comercial persiste

Apesar da vitória judicial, um clima de incerteza permanece. Assessores do governo Trump indicaram que poderão utilizar outras autorizações legais para impor tarifas no futuro, incluindo leis que permitem proteger os EUA contra práticas comerciais desleais ou setores considerados estratégicos para a segurança nacional.

“As chances de que as tarifas reapareçam de forma revisada continuam significativas. Somando isso aos reembolsos, surge uma confusão operacional e jurídica que aumenta a incerteza econômica”, avaliou Olu Sonola, analista da Fitch Ratings.

Impacto nos consumidores e setores mais afetados

As tarifas, que elevaram significativamente os custos de importação, foram majoritariamente arcadas por consumidores e empresas norte-americanas, conforme estudo do Federal Reserve de Nova York. Setores como bens de consumo, automotivo, manufatura e vestuário foram particularmente impactados devido à sua dependência de cadeias de abastecimento globais.

Muitas empresas questionam se os reembolsos resultarão em redução de preços para o consumidor final. “Solicitaríamos o reembolso, como outras empresas, mas duvido que os preços caiam. Isso raramente acontece”, ponderou Jason Cheung, CEO da fabricante de brinquedos Huntar Co.

Enquanto aguardam os reembolsos, que podem levar meses ou anos, algumas empresas já negociam a venda de seus direitos de reembolso a investidores, recebendo um valor antecipado, porém menor.