Mais de US$ 175 bilhões (aproximadamente R$ 912,5 bilhões) arrecadados através de tarifas impostas pelos Estados Unidos podem ter de ser reembolsados, caso a Suprema Corte do país decida contra as medidas de emergência adotadas pelo ex-presidente Donald Trump. A estimativa é de economistas do Penn-Wharton Budget Model.
O cálculo, realizado a pedido da Reuters, baseia-se num modelo que cruza as alíquotas tarifárias por produto e país com os impostos específicos aplicados por Trump. A análise inclui as tarifas implementadas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), conforme explicou Lysle Boller, economista sénior do grupo de pesquisa fiscal da Universidade da Pensilvânia.
A Suprema Corte pode emitir o seu veredicto sobre a legalidade destas tarifas ainda esta sexta-feira (20). Se forem consideradas inválidas, espera-se que os importadores solicitem em massa o reembolso dos valores pagos no ano passado junto à Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA.
Trump tem frequentemente destacado a receita gerada pelas suas tarifas, estimada pelo Escritório de Orçamento do Congresso em cerca de US$ 300 bilhões anuais ao longo da próxima década. Contudo, os novos cálculos indicam que uma parte substancial desse montante poderá ter de ser devolvida.
Para ter uma noção da dimensão, os potenciais reembolsos de US$ 175 bilhões ultrapassam os orçamentos combinados do Departamento de Transportes (US$ 127,6 bilhões) e do Departamento de Justiça (US$ 44,9 bilhões) para o ano fiscal de 2025.
Em janeiro, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou à Reuters que o governo tem capacidade financeira para honrar eventuais reembolsos, embora tenha expressado confiança de que a Suprema Corte manterá as tarifas baseadas na IEEPA.