O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, em decisão que determinou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, classificou um servidor do Banco Central como “funcionário” do empresário. A prisão ocorreu nesta quarta-feira (4) como parte da operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF).
A operação também resultou no afastamento de dois servidores do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que já eram alvo de investigação interna na autarquia. A PF atuou com base em dados coletados pela sindicância interna do BC.
De acordo com fontes das investigações, o Banco Central repassou à PF uma série de informações levantadas em uma sindicância iniciada no final do ano passado. Essa sindicância já havia levado ao afastamento dos servidores pela própria instituição, sendo um deles considerado um “funcionário” de Vorcaro.
Os dois servidores ocupavam cargos de alta relevância na estrutura técnica do BC. Ambos comandavam o Departamento de Supervisão Bancária (Desup), órgão responsável pela estabilidade do mercado financeiro. Paulo Sérgio Neves de Souza já havia exercido o cargo de diretor de Fiscalização do Banco Central.
A auditoria do Banco Central investiga fatos relacionados ao Banco Master desde 2018, quando Daniel Vorcaro obteve autorização para adquirir o banco Máxima, posteriormente rebatizado como Banco Master.
Os servidores afastados assinaram uma série de documentos que estão sob escrutínio da PF, por terem dado continuidade a operações suspeitas do Banco Master.