Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), ministros retomaram discussões sobre a necessidade de ajustes institucionais na Polícia Federal (PF). A avaliação, que ganhou força durante a crise provocada pelo Caso Master, aponta que a instituição concentra poder excessivo no atual arranjo.
Segundo relatos, ministros do STF discutem reservadamente a possibilidade de fortalecer a estrutura da segurança pública, incluindo a criação ou reforço de um Ministério da Segurança Pública. O objetivo seria reorganizar o sistema e buscar dividendos políticos, além de redistribuir o poder atualmente concentrado na PF sob o comando do diretor-geral Andrei Rodrigues.
O debate interno não se limita a questões de organograma. Ministros também avaliam o “personagrama” — ou seja, quem ocuparia eventuais novos postos de comando e posições centrais em investigações. A discussão reflete críticas anteriores de integrantes da Corte sobre a atuação e o grau de autonomia da PF.
O ambiente no STF é descrito como de forte desgaste. Ministros admitem que o tribunal saiu manchado da crise do Master e que a desconfiança contaminou até conversas políticas internas. Há relatos de que muitos evitam reuniões reservadas ou diálogos sensíveis, com receio de que possam ser gravados.
Essa atmosfera de suspeita mútua dificulta articulações internas e tentativas de construir uma estratégia institucional para blindar o Supremo dos desdobramentos da crise, que envolve ministros como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Para integrantes da Corte, esses episódios arrastaram o STF para o centro da turbulência política.