A reunião do Supremo Tribunal Federal (STF) que resultou na saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Banco Master foi marcada por duras críticas à Polícia Federal (PF). Antes de deliberar sobre a substituição do colega, os ministros dedicaram parte do encontro a condenar a forma como a corporação conduziu as investigações.

Para integrantes da Corte, o material enviado pelos delegados ao presidente Edson Fachin revela um cruzamento de dados e troca de mensagens que ultrapassa a alegação de um mero “encontro fortuito” de informações. Na avaliação dos magistrados, o conteúdo demonstra um trabalho investigativo direcionado a uma autoridade com foro privilegiado no STF, o que exigiria autorização judicial prévia.

O relatório da PF que embasou a discussão também trouxe menções à ex-mulher de Dias Toffoli, conectando o círculo pessoal do ministro ao monitoramento feito pela corporação. A presença desse elemento foi vista como um reforço à tese de que a PF avançou sobre relações privadas do magistrado, configurando uma investigação deliberada.

O tom crítico unânime foi interpretado como um gesto de solidariedade institucional a Toffoli. Os ministros convergiram no entendimento de que a PF não pode investigar membros do Supremo por conta própria, sob risco de ferir a autonomia do Judiciário. Essa postura serviu de pano de fundo para a “saída possível”: convencer Toffoli a deixar o caso voluntariamente, evitando a contaminação do processo e anulações futuras.

Menos de 12 horas após ser sorteado como novo relator, o ministro André Mendonça convocou os delegados envolvidos para uma reunião presencial, marcando seu primeiro teste na condução do caso herdado de Toffoli.