O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal realize uma acareação entre o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e o deputado José Rocha (União Brasil-BA). A medida visa apurar contradições nas declarações dos dois parlamentares sobre as indicações de emendas do antigo orçamento secreto.

Esta será a primeira vez que Lira será ouvido pela PF sobre supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares. Os depoimentos e a acareação integram o inquérito que investiga o orçamento secreto e que deu origem à Operação Transparência, em dezembro de 2025.

Naquela operação, foi alvo a ex-assessora de Lira na Presidência da Câmara, Mariangela Fialek, conhecida como Tuca, que teve sua casa e antigo gabinete revistados. A PF apreendeu celulares, computador e anotações da servidora, material que ainda está sob análise.

Em nota, a assessoria de Arthur Lira afirmou que o deputado tomou conhecimento do procedimento pela imprensa e está à disposição para prestar esclarecimentos. No entanto, manifestou “estranheza” com a autorização para acareação sem que Lira tenha prestado depoimento prévio, e destacou que as declarações de José Rocha “não foram confirmadas” por outros deputados ouvidos no caso.

A decisão de Dino, datada de 19 de fevereiro de 2026, foi motivada por uma petição da Advocacia da Câmara dos Deputados ao STF. O órgão alegou que a busca e apreensão na Casa Legislativa, durante a Operação Transparência, baseou-se em informações inverídicas supostamente fornecidas pelo deputado José Rocha.

Na petição, a Advocacia da Câmara sustentou que, na verdade, eram as condutas de Rocha que seriam irregulares. Segundo os advogados, quando era presidente da Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional (Cindre) em 2024, Rocha fez um grande número de indicações de emendas sem combinar com as lideranças partidárias. Além disso, teria retirado emendas de Alagoas que atendiam a interesses de vários deputados do estado.

Diante das acusações cruzadas, o ministro relator determinou à PF que apure os fatos e interrogue os envolvidos. Ainda não há data definida para a realização da acareação, que ocorrerá sob sigilo judicial.

O inquérito também ouviu outros cinco parlamentares: os deputados Glauber Braga (PSOL-RJ), Adriana Ventura (Novo-SP), Fernando Marangoni (União-SP) e Dr. Francisco (PT-PI), e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG).