A Polícia Federal (PF) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma proposta de novo cronograma para a oitiva de investigados no inquérito que apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero. As datas sugeridas são 26 e 27 de janeiro de 2026.
Segundo a PF, o novo agendamento permitirá que as defesas tenham acesso prévio ao conteúdo da investigação, incluindo os depoimentos já colhidos em 30 de dezembro de 2025. Os pedidos de acesso apresentados pelos advogados foram remetidos ao gabinete do ministro relator do caso, Dias Toffoli, para análise e decisão final sobre o calendário.
Datas e investigados sugeridos para depoimento
26 de janeiro (por videoconferência):
- Dário Oswaldo Garcia Junior – diretor financeiro do BRB (Banco de Brasília)
- André Felipe de Oliveira Seixas Maia – diretor de empresa investigada
- Henrique Souza e Silva Peretto – empresário
- Alberto Felix de Oliveira – superintendente-executivo de tesouraria do Banco Master
27 de janeiro (presencial no STF):
- Robério Cesar Bonfim Mangueira – superintendente de operações financeiras do BRB
- Luiz Antonio Bull – diretor de riscos, compliance, RH e tecnologia do Banco Master
- Angelo Antonio Ribeiro da Silva – sócio do Banco Master
- Augusto Ferreira Lima – ex-sócio do Banco Master
O que é investigado no Caso Master?
As investigações da PF têm como ponto de partida a estratégia agressiva de captação do Banco Master, que emitia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com juros muito acima do mercado, atraindo investidores com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo os investigadores, esses recursos estariam lastreados em ativos de baixa liquidez ou de existência questionável.
As apurações avançam sobre possíveis fraudes financeiras, incluindo operações simuladas, desvio de recursos e uso de estruturas societárias para inflar artificialmente a liquidez do banco. A PF também investiga se parte do dinheiro captado foi desviada para beneficiar o controlador da instituição, o banqueiro Daniel Vorcaro, e pessoas de seu círculo familiar e empresarial.
Diante da crise, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, decisão que passou a ser questionada no Tribunal de Contas da União (TCU). O caso foi parar no STF após indícios envolvendo autoridade com foro por prerrogativa de função e pela avaliação de que a divulgação irrestrita das informações poderia impactar o sistema financeiro.
Na fase mais recente da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro, a PF cumpriu 42 mandados de busca e apreensão e bloqueou bens que somam mais de R$ 5,7 bilhões, ampliando as investigações para familiares de Vorcaro e outros nomes do mercado financeiro.