Stephen Miran, diretor do Federal Reserve (Fed), renunciou formalmente ao cargo de presidente do Conselho de Assessores Econômicos (CEA) da Casa Branca nesta terça-feira (3). A informação foi confirmada por um porta-voz do governo e pela agência Reuters, que teve acesso à carta de renúncia.

Miran estava em licença não remunerada do CEA desde que o presidente Donald Trump o indicou, no ano passado, para preencher uma vaga na diretoria do Fed, substituindo Adriana Kugler. Em sua carta, Miran afirmou: “Prometi ao Senado que, caso permanecesse no Conselho após janeiro, deixaria formalmente o Conselho de Assessores Econômicos. Acredito que seja importante cumprir minha palavra enquanto continuo a exercer a função no Federal Reserve”.

Embora seu mandato no Fed tenha expirado em janeiro, Miran pode permanecer no cargo até que um sucessor seja confirmado pelo Senado. Sua nomeação foi aprovada pelo Senado americano em 15 de setembro de 2025, como parte da estratégia de Trump de indicar nomes alinhados à sua agenda econômica para a diretoria do banco central.

Desde que assumiu o cargo no Fed, Miran participou de quatro decisões sobre juros. Na primeira reunião, em setembro, foi o único a votar contra a maioria, defendendo um corte maior nas taxas. Nas reuniões seguintes, manteve sua posição favorável a cortes mais amplos, alinhando-se ao desejo de Trump de reduzir os juros no país.

O movimento ocorre em meio a uma reestruturação mais ampla no Federal Reserve. Recentemente, Trump anunciou a indicação do economista Kevin Warsh para comandar a instituição a partir de maio, quando termina o mandato do atual presidente, Jerome Powell. Simultaneamente, a Suprema Corte analisa a tentativa do republicano de demitir Lisa Cook do cargo de diretora do Fed.

Caso a demissão de Cook seja confirmada, Trump terá garantido pelo menos três indicações para a diretoria do Fed. Se alcançar maioria de aliados no conselho da instituição — que tem sete membros —, o presidente terá maior influência sobre as nomeações nos 12 bancos regionais e, consequentemente, ampliará sua interferência nas decisões de juros.