A SpaceX, empresa de foguetes de Elon Musk, adquiriu oficialmente a xAI, sua companhia de inteligência artificial, em um movimento estratégico que visa criar um ecossistema tecnológico integrado e ambicioso. O objetivo declarado é formar “o motor de inovação verticalmente integrado mais ambicioso da Terra (e fora dela)”, unindo IA, foguetes, internet espacial (Starlink), comunicações diretas para dispositivos móveis e a plataforma X.

O plano de longo prazo, revelado por Musk, é revolucionário: lançar data centers (centros de processamento de dados) no espaço. Segundo o bilionário, “no longo prazo, a IA baseada no espaço é, obviamente, a única forma de escalar”. A justificativa principal é a eficiência energética: “No espaço, é sempre ensolarado”, afirmou, referindo-se ao acesso contínuo e abundante à energia solar.

O horizonte de 2 a 3 anos e a visão de um milhão de satélites

Musk projetou que, “dentro de dois e três anos, a forma de menor custo para gerar computação de IA será no espaço”. Ele acredita que essa eficiência de custos permitirá “processamento de dados em velocidades e escalas sem precedentes”, impulsionando o treinamento de modelos de IA.

Sua visão é ainda mais grandiosa: lançar “um milhão de satélites que operem como data centers orbitais”. Para Musk, isso não só oferecerá tecnologia de IA para “bilhões de pessoas”, mas também será um passo crucial para que a humanidade se torne uma civilização multiplanetária e capaz de aproveitar toda a energia do Sol.

Vantagens e o movimento do setor

A lógica por trás da ideia é sólida. Data centers de IA na Terra são consumidores massivos de energia, com demandas que podem equivaler a milhões de residências. No espaço, alimentados por painéis solares sem a interferência da atmosfera ou do ciclo noite-dia, o custo energético para o processamento de alta potência poderia cair drasticamente, tornando operações como o treinamento do modelo Grok (da xAI) muito mais económicas.

Musk não está sozinho nesta corrida. Empresas como a Starcloud e a Lonestar já planejam operar data centers orbitais, vendo o espaço como o principal local para administrar grandes volumes de informação na próxima década. Jeff Bezos, da Blue Origin e Amazon, também é um entusiasta, prevendo a construção de “gigantescos data centers no espaço” nos próximos 10 a 20 anos devido ao acesso à energia solar contínua.

Embora promissora, a tecnologia ainda precisa provar sua viabilidade em escala comercial. A fusão SpaceX-xAI, no entanto, coloca Musk em uma posição única para tentar: ele controla tanto o meio de transporte (os foguetes) quanto a carga valiosa (a IA) que pretende colocar em órbita, materializando sua visão de um futuro onde a computação mais poderosa da Terra acontece, na verdade, fora dela.