A SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, anunciou oficialmente a aquisição da xAI, sua empresa de inteligência artificial. O objetivo declarado é criar um “motor de inovação verticalmente integrado” para concretizar um dos planos mais ambiciosos do bilionário: o lançamento de data centers no espaço.

“No longo prazo, a IA baseada no espaço é, obviamente, a única forma de escalar”, afirmou Musk. “No espaço, é sempre ensolarado”, destacou, referindo-se ao potencial de energia solar ininterrupta.

Segundo o comunicado, a fusão reúne IA, foguetes, internet espacial (Starlink), comunicações diretas para dispositivos móveis e a plataforma X. Musk prevê que, “dentro de dois e três anos, a forma de menor custo para gerar computação de IA será no espaço”.

O plano envolve lançar “um milhão de satélites que operem como data centers orbitais”, visando não apenas reduzir custos e escalar o processamento de IA, mas também ajudar a humanidade a se tornar uma “civilização capaz de aproveitar toda a energia do Sol” e garantir um “futuro multiplanetário”.

Vantagens e o movimento do setor

O processamento de IA no espaço, alimentado por energia solar, poderia reduzir drasticamente os custos operacionais e o impacto ambiental associados aos enormes data centers terrestres, que já consomem energia equivalente a milhões de residências.

Musk não é o único entusiasta. Jeff Bezos, da Blue Origin e Amazon, também acredita na tendência: “É difícil saber exatamente quando — são mais de dez anos, e aposto que não são mais de 20 anos. Mas vamos começar a construir esses gigantescos data centers no espaço”, disse ele no ano passado.

Outras empresas, como a Starcloud e a Lonestar, já planejam operar data centers orbitais. Philip Johnston, cofundador da Starcloud, prevê que “dentro de dez anos, quase todos os novos data centers serão construídos no espaço” devido às limitações de energia e custo na Terra.

Desafios e próximos passos

Apesar do otimismo, o projeto enfrenta enormes desafios técnicos e logísticos. O comunicado da SpaceX não divulgou um cronograma detalhado ou prazos concretos para os primeiros lançamentos. A viabilidade comercial em larga escala ainda precisa ser comprovada.

O movimento, no entanto, sinaliza uma aposta agressiva de Musk em uma infraestrutura crítica para o futuro da IA, buscando controle total sobre a cadeia de inovação, do hardware de lançamento ao software de inteligência artificial.