Pesquisadores da Embrapa desenvolveram um sistema inovador que transforma fezes e urina de porcos em água potável. Em uma demonstração do potencial da tecnologia, a água tratada foi utilizada na produção de cerveja artesanal, com resultados positivos em degustações científicas.
O Sistema de Tratamento de Efluentes da Suinocultura (Sistrates) foi criado com o objetivo principal de evitar a poluição de rios e reduzir o consumo de água nova na agropecuária. A tecnologia já é adotada por alguns produtores, onde a água tratada é reutilizada na limpeza das instalações ou devolvida ao meio ambiente dentro dos padrões exigidos.
O mestre cervejeiro Fernando Cavassin, que participou das degustações, afirmou que a água proveniente do tratamento não altera o sabor da bebida. A produção experimental resultou em 40 litros de cerveja, apresentados em eventos científicos.
Em um contexto de crise hídrica global, onde a agricultura responde por cerca de 70% do uso de água doce, o Sistrates surge como uma solução sustentável. O pesquisador Airton Kunz, da Embrapa, explica que o sistema pode reduzir em 40% a 50% a demanda por água nova na produção suinícola.
Além da água para reúso, o processo gera subprodutos valiosos como fertilizantes e energia elétrica. Quando não tratados, os dejetos suínos – que variam de 7 a 20 litros por animal diariamente – causam sérios problemas de poluição nos corpos hídricos.
O tratamento envolve múltiplas etapas, incluindo clarificação química e remoção de patógenos, garantindo a segurança tanto para reúso quanto para consumo. O investimento inicial representa de 8% a 10% do custo total de uma granja, com baixos custos de manutenção.
Paralelamente, a Embrapa Semiárido desenvolve outra tecnologia sustentável: o reaproveitamento de águas cinzas (provenientes de lavagem de louça e roupa) para irrigação. Um sistema caseiro de filtragem trata essa água, criando uma solução nutritiva para plantas e protegendo o lençol freático.