O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, apelou aos líderes europeus para que mantenham a calma e evitem retaliações face às recentes tensões sobre a Groenlândia. As declarações foram feitas durante o Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça.

Bessent pediu aos aliados europeus que “respirem fundo” e mantenham uma “mente aberta”, garantindo que o presidente Donald Trump, que participaria no evento no dia seguinte, iria transmitir a sua mensagem pessoalmente. O apelo surge no contexto do aumento das tensões transatlânticas, após Trump ter reiterado o interesse estratégico dos EUA na Groenlândia e anunciado a aplicação de tarifas a oito países europeus a partir de fevereiro de 2026.

O secretário do Tesouro minimizou o risco de uma rutura entre aliados, descrevendo as novas tarifas como um “instrumento de negociação” e não um ataque direto. Afirmou ainda que a administração americana permanece comprometida com o diálogo.

Questionado sobre o impacto na NATO, Bessent afirmou que a aliança se mantém sólida, mas aproveitou para criticar, mais uma vez, os baixos gastos europeus com a defesa. Sublinhou que os Estados Unidos têm suportado uma parte “desproporcional” dos custos militares da aliança durante décadas.

Bessent também procurou acalmar os mercados, afirmando que a volatilidade recente está mais ligada a fatores locais do que ao debate sobre a Groenlândia. Esta posição contrasta com a da Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que, também em Davos, classificou a soberania da Groenlândia como “inegociável” e as ameaças tarifárias dos EUA como “equivocadas”.

Paralelamente, Bessent comentou a situação interna nos EUA, criticando a intenção do presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, de comparecer às audiências do Supremo Tribunal relacionadas com a tentativa de Donald Trump de demitir a diretora do Fed, Lisa Cook. Considerou que tal presença seria um “erro grave” que politizaria indevidamente o banco central.

O Supremo Tribunal deve analisar os argumentos sobre o caso, que se centra em acusações de irregularidades em documentos de financiamento de habitação por parte de Cook, que ela nega. Powell planeia estar presente como gesto de apoio à independência da instituição, num momento de crescentes pressões políticas da Casa Branca.