O ex-presidente brasileiro José Sarney classificou como “uma barbaridade” a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, ocorrida no último sábado (3). Em declarações nesta segunda-feira (5), Sarney afirmou que a ação, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, “foi contra todas as regras do direito internacional”.
Sarney expressou solidariedade com a posição oficial do governo brasileiro, que condenou o episódio. “Sou solidário com a posição do Brasil, que reflete exatamente essa condenação”, disse, acrescentando que a manifestação do Itamaraty foi “equilibrada” e constituiu “a defesa da democracia e a necessidade de se condenar gestos de violência dessa natureza”.
Posição Oficial do Brasil
O governo brasileiro divulgou uma nota oficial condenando veementemente o ato. O documento, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, descreveu os ataques como uma ação que “ultrapassa uma linha inaceitável” e configura “uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela” e ao direito internacional.
A nota ainda alerta que os bombardeios e a captura de um chefe de estado representam “o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade”, criticando a substituição do multilateralismo “pela lei do mais forte”. O posicionamento brasileiro focou em pedir respeito às normas internacionais, sem advogar por medidas militares ou sanções adicionais.
Repercussão no Conselho de Segurança da ONU
O Brasil levou sua condenação à reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, realizada nesta segunda-feira (5). Embora ciente de que o debate não alteraria imediatamente a situação no país vizinho, o governo Lula utilizou a tribuna para reafirmar sua política tradicional de defesa da soberania das nações e da integridade territorial.
Segundo diplomatas brasileiros, o objetivo é evitar que a América do Sul retorne a um cenário de “lei da selva” e garantir que qualquer transição de poder na Venezuela seja conduzida pelos próprios venezuelanos, mantendo o controle sobre seus recursos naturais.
A ação dos Estados Unidos gerou tensão na região e foi criticada por diversos países latino-americanos. O governo da Venezuela já solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir o caso.
Fonte: G1