O grupo Saks Global, um dos maiores conglomerados de varejo de luxo dos Estados Unidos, entrou com um pedido de falência na noite de terça-feira (13), em um dos colapsos mais significativos do setor desde a pandemia. A informação foi confirmada pela agência de notícias Reuters.
A medida ocorre pouco mais de um ano após a formação do grupo, que reuniu sob o mesmo guarda-chuva as icônicas redes Saks Fifth Avenue, Bergdorf Goodman e Neiman Marcus. O objetivo da fusão era criar uma potência com escala para competir em um mercado cada vez mais desafiador, mas o movimento acabou por sobrecarregar a empresa com uma dívida colossal.
Apesar do anúncio, a empresa assegurou na manhã de quarta-feira (14) que suas lojas permanecerão abertas por enquanto. A continuidade das operações foi garantida por um pacote de financiamento emergencial de US$ 1,75 bilhão e pela nomeação de um novo CEO.
Geoffroy van Raemdonck, ex-líder da Neiman Marcus, assume o comando no lugar de Richard Baker, arquiteto da estratégia de consolidação que levou a empresa à situação atual. A Saks Global também promoveu dois ex-executivos da Neiman Marcus para posições-chave nas áreas comercial e de parcerias.
Em documentos judiciais, a empresa estimou que seu passivo está na faixa de US$ 1 bilhão a US$ 10 bilhões. O processo de falência, do Capítulo 11, concede à empresa um respiro para buscar uma reestruturação ou um novo controlador. Caso contrário, o fechamento definitivo se torna uma possibilidade real.
A crise foi precipitada pela aquisição da Neiman Marcus em 2024, uma operação financiada quase inteiramente por dívidas. Com a desaceleração do mercado global de luxo, a Saks Global começou a enfrentar dificuldades para honrar compromissos com fornecedores, perdeu clientes para concorrentes e foi forçada a vender ativos. Em dezembro, a empresa deixou de pagar mais de US$ 100 milhões em juros.
O acordo de financiamento assegura US$ 1 bilhão em capital imediato, com previsão de mais US$ 740 milhões condicionados a garantias e à saída do processo de falência. Entre os milhares de credores listados estão gigantes do luxo como Chanel, Kering e LVMH.
Fundada em 1867 por Andrew Saks, a Saks Fifth Avenue era sinônimo de glamour, atraindo uma clientela rica e famosa. No entanto, a pandemia acelerou mudanças no consumo, com o crescimento do e-commerce e a estratégia das marcas de vender diretamente ao consumidor, pressionando os modelos tradicionais de departamentos de luxo.