Enquanto outras regiões do estado de São Paulo já concluíram a colheita, produtores do sudoeste paulista, especialmente em São Miguel Arcanjo, ainda enfrentam atrasos significativos na safra da uva. O clima atípico, marcado por frio intenso fora da previsão, tem sido o principal fator para o desenvolvimento irregular das frutas.

O produtor Roney Gonçalves, que cultiva variedades como Núbia, Itália, Benitaka e Brasil, expressa a constante preocupação dos agricultores com as condições meteorológicas. “Não pode ter muita chuva, não pode ter muito frio, não pode ter muito sol, porque pode acabar queimando as uvas na fase da acidez”, explica. Este ano, as baixas temperaturas retardaram o ciclo da uva, resultando em cachos de tamanhos desiguais. “As frutas não deram o calibre certo. Tem cachos que estão menores e outros maiores”, relata Gonçalves.

Valdir Xisto, que possui uma plantação de sete hectares, também enfrenta dificuldades. Apesar do manejo cuidadoso dos parreirais e da proteção dos cachos com saquinhos para garantir qualidade, o mercado se mostra desafiador. Ele vende o quilo da uva Itália por R$ 8, valor superior ao de outras variedades, mas ainda abaixo do considerado ideal pela família. A expectativa é que a colheita se estenda até o final de fevereiro.

Em contraste, no sítio de Rafael Denardi, a colheita já foi finalizada com satisfação. Sua plantação de cinco hectares, dedicada a uvas de mesa e finas, tem destino industrial. “Essa fruta vai para a fábrica, e nós produzimos suco de uva. As variedades mais tardias vão para a produção de vinho”, detalha o agricultor.

A reportagem, exibida originalmente em 08/02/2026, destaca os contrastes na safra regional e os desafios impostos pelo clima à viticultura no interior paulista.