Um assalto meticuloso e silencioso, executado durante as festas de fim de ano de 2025, chocou a Alemanha e expôs falhas alarmantes na segurança bancária. Em Gelsenkirchen, uma quadrilha especializada invadiu uma agência do banco Sparkasse, perfurou uma parede de concreto e saqueou mais de 3.000 cofres privados, fugindo com um espólio estimado em até 100 milhões de euros.

O que torna este caso, descrito como o mais “espetacular” em anos, verdadeiramente notável é o fato de ter ocorrido sem que ninguém percebesse. A operação foi tão discreta que a polícia e os bombeiros, alertados por um alarme de incêndio durante o roubo, deixaram o local acreditando tratar-se de um falso alarme.

O Método: Precisão e Paciência Criminosa

Os investigadores acreditam que os ladrões acessaram o prédio bancário através de um estacionamento adjacente, corrompendo uma porta de segurança. De lá, burlaram sistemas de proteção e chegaram a uma sala de arquivos no subsolo, ao lado da caixa-forte.

Com uma furadeira industrial, abriram um buraco de 40 centímetros na parede que dava acesso direto aos cofres. Os sistemas do banco registram que o primeiro cofre foi violado às 10h45 de 27 de dezembro e o último, às 14h44 do mesmo dia. Testemunhas relataram ter visto homens carregando sacolas grandes na escadaria do estacionamento na noite do dia 28.

O Desfecho: Caos, Perdas e Uma Crise de Confiança

O crime só foi descoberto em 29 de dezembro, quando um novo alarme de incêndio levou os bombeiros de volta ao local. A cena que encontraram foi de caos absoluto: mais de 500 mil itens espalhados pelo chão, muitos danificados por água e produtos químicos.

Para os clientes, a perda foi devastadora. Relatos incluem economias de uma vida, joias de família herdadas por gerações e até 400 mil euros em dinheiro vivo guardado para a aposentadoria. Muitos não possuem recibos oficiais do conteúdo, dificultando a identificação e recuperação dos bens.

As Perguntas que Permanecem

O caso levantou questões profundas sobre segurança e responsabilidade:

  • Como os ladrões sabiam a localização exata do cofre?
  • Por que os sistemas de alarme não foram eficazes?
  • Houve conivência interna?
  • O banco, que afirma ter tecnologia de ponta, será responsabilizado?

O ministro do Interior Herbert Reul alertou para o dano psicológico às vítimas, que vai além da perda material, afetando a confiança na segurança e na ordem institucional. Enquanto a polícia vasculha o local por pistas e analisa imagens de câmeras que mostram homens encapuzados e carros com placas falsas, o roubo do Sparkasse já se tornou um símbolo político de promessas de segurança não cumpridas.