Diante da crescente pressão competitiva de fabricantes chinesas, a Renault anunciou uma estratégia ambiciosa para a próxima década. Batizado de futuREady, o plano estabelece que, até 2030, metade das vendas globais da marca serão de veículos elétricos ou híbridos, com o objetivo de vender 2 milhões de unidades.
“A Renault pretende que 100% de suas vendas na Europa sejam de veículos eletrificados e que 50% das vendas fora da Europa também sejam eletrificadas”, afirmou Fabrice Cambolive, diretor executivo da empresa, durante a apresentação da estratégia.
Resposta à concorrência chinesa e foco internacional
A estratégia é uma resposta direta ao avanço agressivo de marcas como BYD e Chery, conhecidas por preços competitivos, e à concorrência de grupos tradicionais como a Stellantis. Para recuperar terreno, a Renault pretende reequilibrar suas vendas, com metade do volume (1 milhão de veículos) destinada a mercados fora da Europa até 2030.
O plano prevê o lançamento de 36 novos modelos nos próximos cinco anos, sendo 14 deles desenvolvidos especificamente para mercados internacionais. Quatro modelos serão destinados à Índia, incluindo o SUV compacto Bridger, com produção iniciando em 2027.
O cenário no Brasil e a ofensiva de produtos
No Brasil, onde a Renault viu sua participação de mercado cair de 9% em 2019 para 5,1% atualmente, a eletrificação já começou. O Renault Koleos híbrido, com 245 cavalos de potência, é a primeira aposta da marca para enfrentar rivais chinesas como BYD e GWM no segmento de SUVs.
A nova fase, chamada de “futuREady”, sucede a estratégia “Renaulution”, que focou em recuperação financeira. “Com a Renaulution, provamos que podemos vencer, agora precisamos provar que podemos durar”, declarou o presidente-executivo François Provost.
Desafios no caminho da eletrificação
Analistas veem a estratégia como um caminho claro para preservar a lucratividade, mas destacam os desafios. A concorrência global está mais intensa, e mudanças políticas, como a redução de incentivos a veículos elétricos nos EUA, podem impactar o setor. O sucesso, portanto, dependerá da capacidade executiva da Renault em colocar o plano em prática em um mercado em rápida transformação.