A Renault anunciou uma estratégia ousada para a próxima década, com o objetivo de que metade das suas vendas globais sejam de veículos elétricos ou híbridos até 2030. O plano, batizado de futuREady, foi apresentado como uma resposta direta à crescente pressão competitiva de fabricantes chineses, como BYD e Chery, e à necessidade de uma rentabilidade sustentável.

“A Renault pretende que 100% de suas vendas na Europa sejam de veículos eletrificados e que 50% das vendas fora da Europa também sejam eletrificadas”, afirmou Fabrice Cambolive, diretor executivo da marca. A meta faz parte de um objetivo maior de vender 2 milhões de veículos até o final da década, com metade desse volume proveniente de mercados fora do continente europeu.

O contexto para essa mudança é desafiador. A concorrência com as montadoras chinesas, conhecidas por preços agressivos, intensificou-se globalmente. No Brasil, por exemplo, a Renault viu sua participação de mercado cair de 9% em 2019 para 5,1% atualmente, uma redução de 43%. Para enfrentar essa disputa, a marca já deu o pontapé inicial na eletrificação no país com o lançamento do SUV Renault Koleos híbrido, que chega com 245 cavalos de potência.

A estratégia internacional é um pilar central do futuREady. A empresa planeja lançar 36 novos modelos nos próximos cinco anos, sendo 14 deles especificamente desenvolvidos para mercados fora da Europa – um aumento significativo em relação aos oito lançamentos do ciclo anterior. A Índia receberá atenção especial, com quatro novos modelos, incluindo o SUV compacto Bridger, cuja produção deve começar em 2027.

Esta retomada do foco global marca uma nova fase para a Renault, que passou por um período de contração internacional durante a gestão anterior. “Com a Renaulution, provamos que podemos vencer, agora precisamos provar que podemos durar”, declarou o atual presidente-executivo, François Provost.

Analistas do setor veem a estratégia com cautela otimista. Para Michael Foundoukidis, da Oddo BHF, a priorização de modelos rentáveis e a expansão internacional oferecem um caminho claro para preservar a lucratividade, mas o sucesso final dependerá da capacidade de execução da montadora em um cenário de incentivos cambiantes e competição feroz.