O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), afirmou que as movimentações do presidente Lula (PT) para ampliar sua base de apoio e discutir a vaga de vice-presidente com o MDB não devem ser interpretadas como um gesto hostil ao atual vice, Geraldo Alckmin (PSD). Para o ministro, a construção de alianças para 2026 responderá a uma relação de força política e à necessidade de isolar o bolsonarismo.
“O que o presidente está fazendo agora não é contra o Alckmin. Política é relação de força, não é apenas preferência pessoal. Acredito que ele é o amplo favorito para a vaga de vice. Eles explicaram ao país o motivo de estarem se unindo, contra o bolsonarismo. Mas é importante ver também o outro lado para poder construir a chapa mais competitiva”, disse Renan Filho em entrevista ao Estúdio i.
Embora tenha classificado Alckmin como amplo favorito para permanecer no posto, citando suas virtudes e experiência, o ministro afirmou que o presidente Lula agirá com competência para verificar quem, no cenário atual, ajuda a construir a chapa mais competitiva.
Simone Tebet no radar
Renan Filho defendeu que a presença do MDB na vaga de vice fortaleceria “ao máximo” a coligação. Ele destacou que o partido possui quadros preparados para a função, mencionando nominalmente a ministra do Planejamento, Simone Tebet, que disputou a presidência em 2022.
De acordo com o ministro, o MDB é o partido de centro com maior proximidade com o governo, mas ressalvou que qualquer aliança formal depende de vitória em convenção partidária.
“No MDB, a aliança é decidida por convenção. Se o governo quiser contar com o apoio intenso do partido, o partido vai querer participar na construção do projeto, e a vaga de vice é a principal expressão dessa composição”, explicou.
Lulismo além do PT
A estratégia desenhada pelo ministro prevê a expansão do lulismo para ocupar o centro e empurrar a extrema-direita para o isolamento. Renan Filho argumentou que o PT compõe uma aliança liderada por Lula que é maior que o próprio petismo, e que o MDB tem o papel de ampliar esse alcance.
A discussão ocorre em um momento de articulações intensas no Palácio do Planalto. Recentemente, Lula se reuniu com o presidente do PSB para tratar da manutenção de Alckmin na chapa, enquanto setores do MDB, liderados pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), pressionam por um espaço maior na composição que buscará a reeleição em 2026.