O senador Renan Calheiros (MDB-AL) denunciou uma manobra política para reduzir o impacto do depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no Senado. Segundo ele, a antecipação da oitiva de Vorcaro na CPMI do INSS para segunda-feira (23) é uma estratégia do Centrão para esvaziar a audiência prevista na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), marcada para terça-feira (24).

Renan afirma que a movimentação visa limitar o alcance das investigações. Enquanto a CPMI tem foco restrito em irregularidades nos empréstimos consignados do INSS, a CAE pretende ampliar o escopo e fiscalizar a atuação do Banco Master, investigado por suspeita de envolvimento em uma fraude bilionária.

O senador apontou diretamente os presidentes da Câmara, Artur Lira (PP-AL), e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB), além do ex-ministro da Casa Civil Ciro Nogueira (PP-PI), como articuladores da manobra. Procurado, Lira rebateu, classificando as acusações como reflexo de uma “briga regional” com Renan.

“O Centrão não deve estar no escândalo do consignado”, ironizou Renan, que lidera no Senado o grupo que defende uma investigação mais abrangente. Ele destacou que Vorcaro havia solicitado prestar esclarecimentos ao Senado e se mostrado disposto a colaborar.

Para Renan, o depoimento na CAE seria uma oportunidade crucial para aprofundar questionamentos que ultrapassam os limites da CPMI, permitindo um exame mais completo das suspeitas contra o Banco Master.