Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode gerar um impacto financeiro significativo para as empresas. Segundo a entidade, os custos com a folha de pagamento de empregados formais podem aumentar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano, o que representa um acréscimo de até 7% nas despesas totais.
O debate, que ganhou destaque nas eleições e nas redes sociais, pode ser pautado no Congresso Nacional ainda em 2026. A análise da CNI considera dois cenários principais para manter o volume atual de horas trabalhadas: o pagamento de horas extras aos funcionários existentes ou a contratação de novos trabalhadores.
Impacto Setorial e nas Pequenas Empresas
O setor industrial seria um dos mais afetados, com um aumento potencial de até 11,1% na folha salarial. Isso se traduziria em custos adicionais de R$ 87,8 bilhões (no cenário de horas extras) ou R$ 58,5 bilhões (com novas contratações).
De acordo com a projeção, 21 dos 32 setores industriais analisados teriam elevação de custos acima da média do setor. Exemplos incluem:
- Indústria da transformação: aumento de 7,7% a 11,6%
- Indústria da construção: aumento de 8,8% a 13,2%
- Comércio: aumento entre 8,8% e 12,7%
- Agropecuária: aumento de 7,7% a 13,5%
As micro e pequenas empresas seriam as mais vulneráveis, segundo a CNI. Elas representam 52% do emprego formal no país e têm uma proporção maior de funcionários com jornadas superiores a 40 horas semanais. A entidade alerta que a falta de recursos ou estrutura para ampliar equipes pode levar essas empresas a reduzir a produção, perder competitividade e comprometer postos de trabalho.
Posicionamento da CNI e Considerações Finais
Ricardo Alban, presidente da CNI, afirmou que a medida, se implementada sem uma análise criteriosa, pode reduzir a produção, aumentar o custo unitário do trabalho e gerar pressão sobre a competitividade das empresas nacionais. “Essa dinâmica provoca queda da produção, do emprego e da renda e, consequentemente, do PIB brasileiro”, declarou.
Alban defende que qualquer mudança na legislação trabalhista deve considerar a diversidade de realidades produtivas do país, os efeitos sobre diferentes setores e portes de empresa, além das disparidades regionais e o impacto na criação de empregos formais. Para a CNI, o debate exige cautela para não comprometer o desenvolvimento econômico nacional.