O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Trust DTVM, empresa responsável pela gestão dos fundos do grupo Reag Investimentos. A decisão ocorre após investigações da Polícia Federal que apontam suposto envolvimento da gestora em esquemas de lavagem de dinheiro e fraudes financeiras.
O fundador e então presidente do conselho da Reag, João Carlos Falbo Mansur, formalizou sua saída da companhia em setembro do ano passado, em meio ao avanço das apurações. Ele foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão na Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master.
O BC alegou que a empresa descumpriu regras legais e prudenciais, comprometendo sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei. A Reag é investigada em duas operações da PF: Compliance Zero (ligada ao caso Master) e Carbono Oculto (sobre lavagem de dinheiro do PCC no setor de combustíveis).
O desmonte da Reag
Em setembro de 2025, a Reag Capital Holding deixou de ser companhia aberta e saiu da bolsa após as investigações. O cancelamento do registro na CVM, aprovado em outubro, transformou a holding em empresa de capital fechado.
O movimento seguiu a deflagração da Operação Carbono Oculto, que incluiu buscas na sede da empresa, a saída do fundador e de outros executivos, e a venda do controle da Reag Investimentos. Segundo a PF, a gestora teria sido usada para estruturar fundos destinados à compra de empresas e à blindagem patrimonial de recursos ilícitos do PCC.
Venda do controle para a Arandu Partners
Em setembro de 2025, Mansur vendeu o controle da Reag Investimentos para um grupo de executivos da própria gestora, por meio da Arandu Partners Holding S.A., em transação estimada em R$ 100 milhões. Com a venda, a Arandu passou a controlar a Reag Investimentos.
Desde dezembro de 2025, a gestora opera na bolsa sob o novo ticker ARND3, substituindo o antigo REAG3. A Reag Trust DTVM, responsável por administrar os fundos, foi rebatizada como CBSF DTVM antes da liquidação.
Efeitos da liquidação da CBSF DTVM
Especialistas explicam que os cotistas dos fundos administrados pela Reag possuem garantia de segregação patrimonial. O dinheiro do fundo não se mistura com o da administradora que está sendo liquidada.
O liquidante nomeado pelo BC deve convocar uma assembleia para transferir esses fundos para outra administradora. Até lá, resgates e aplicações ficam congelados. O BC classificou a CBSF DTVM no segmento S4 (instituições de porte pequeno), indicando que o caso não deve contaminar outras instituições financeiras.
Suposto envolvimento com o Banco Master
A situação da Reag se agravou com seu envolvimento na Operação Compliance Zero. Segundo as apurações, a gestora teria atuado como parceira do Banco Master na estruturação e administração de fundos usados em operações consideradas atípicas.
A PF investiga se esses mecanismos foram usados para inflar resultados, ocultar riscos e dar aparência de solvência ao banco. A Reag também é citada na Operação Carbono Oculto como prestadora de serviços a fundos que teriam sido usados para ocultação de patrimônio do PCC.