Uma ação militar dos Estados Unidos na madrugada de sábado (3) resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, desencadeando uma onda de reações imediatas e polarizadas no cenário político brasileiro. A operação, confirmada pelo presidente norte-americano Donald Trump e posteriormente pelo governo venezuelano, consistiu em um ataque em grande escala ao território venezuelano.
Ministros do governo Lula, parlamentares da base e da oposição se manifestaram nas redes sociais, refletindo o profundo cisma nas visões sobre soberania, direito internacional e a crise venezuelana.
Condenação da Intervenção e Defesa da Soberania
Do lado do governo e de partidos de esquerda, as declarações foram de forte condenação, enquadrando o ato como uma violação inaceitável da soberania venezuelana e um precedente perigoso.
- Presidente Lula: Classificou os bombardeios e a captura como “uma afronta gravíssima” e “um primeiro passo para um mundo de violência e caos”, defendendo uma resposta vigorosa da ONU e reafirmando o compromisso do Brasil com o diálogo.
- Guilherme Boulos (Ministro da Secretaria Geral): Chamou a ação de “a ação imperialista mais grave que já vivenciamos”, acusando Trump de buscar petróleo e estabelecer uma nova “Doutrina Monroe” para a América Latina.
- Sônia Guajajara (Ministra dos Povos Indígenas): Em nome do FILAC, repudiou os ataques e o sequestro de Maduro e sua esposa, defendendo a autodeterminação dos povos e a solução pacífica de conflitos.
- Líderes do PT no Congresso (Paulo Pimenta, Lindbergh Farias, Jaques Wagner, José Guimarães): Emitiram notas veementes de repúdio, qualificando o ato como agressão imperialista, violação do direito internacional e ameaça à paz regional. Defenderam mediação por organismos como a ONU e a OEA.
Críticas ao Regime de Maduro e Reações à Intervenção
Políticos de oposição, enquanto condenavam o regime de Maduro, tiveram reações diversas à intervenção militar, algumas celebrando uma possível “libertação”.
- Flávio Bolsonaro (Senador – PL-RJ): Descreveu a Venezuela sob Chávez e Maduro como um “exemplo extremo” de regime autoritário, responsável por uma tragédia humanitária e por abrigar o narcoterrorismo. Sua declaração focou na resistência do povo venezuelano, concluindo que “a Venezuela voltará a ser livre”.
- Ciro Nogueira (Senador – PP-PI): Declarou que “acabou a ditadura de Maduro” e criticou a esquerda por ter “ditadores de estimação”.
- Eduardo Bolsonaro (Ex-deputado – PL-RJ): Atacou o que chamou de “pacifismo cínico” de quem, segundo ele, defende regimes terroristas, e insinuou que Lula teme revelações de Maduro sobre supostas relações criminosas.
Preocupação com Consequências e Apelo à Prudência
Outras vozes adotaram um tom mais institucional, expressando preocupação com as consequências imediatas e a estabilidade regional.
- Alexandre Padilha (Ministro da Saúde): Alertou que guerras matam civis e destroem sistemas de saúde, e que o Brasil, especialmente Roraima, já sofre os impactos da crise venezuelana.
- Erika Hilton (Deputada – PSOL-SP): Afirmou que o ataque não resolverá os problemas do povo venezuelano, servindo apenas aos interesses petrolíferos dos EUA e gerando mais caos. Alertou que a violação da soberania de qualquer país latino-americano é uma ameaça a todos.
- Nelsinho Trad (Senador – PSD-MS): Como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, manifestou preocupação com os brasileiros na Venezuela e os impactos na fronteira. Questionou uma possível “conivência interna” na rapidez da operação e defendeu que a resposta internacional observe os marcos da ONU, sem banalizar o uso da força.
O episódio coloca o Brasil e a região diante de uma crise geopolítica de proporções históricas, reacendendo debates profundos sobre intervenção, soberania e o futuro da ordem internacional na América Latina.
Fonte: G1