A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, protocolou nesta quarta-feira (11) um pedido de recuperação extrajudicial junto à Justiça de São Paulo. O objetivo é renegociar parte de suas obrigações financeiras, que totalizam aproximadamente R$ 65,1 bilhões, em um ambiente jurídico mais seguro e estruturado.
A empresa, do setor sucroenergético, informou que o plano já conta com a adesão de credores que representam mais de 47% das dívidas sem garantia (quirografárias). Esse percentual é suficiente para dar entrada no processo, que agora tem um prazo de 90 dias para obter o apoio mínimo necessário para homologação judicial.
Em comunicado, a Raízen destacou que o escopo da recuperação é estritamente financeiro e não afeta suas operações comerciais. Relações com clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros de negócios permanecem intactas e regidas normalmente pelos contratos vigentes.
Contexto da Pressão Financeira
A decisão ocorre em um contexto de pressão financeira significativa. No terceiro trimestre da safra 2025/26, a Raízen registrou um prejuízo de R$ 15,6 bilhões, com receita de R$ 60,4 bilhões (queda de 9,7%). Sua dívida líquida chegou a R$ 55,3 bilhões no final de dezembro.
Diversos fatores contribuíram para esse cenário, incluindo altos investimentos, condições climáticas adversas que impactaram safras e moagem de cana, e um ambiente de juros elevados.
Detalhes do Plano e Negociações
O plano de recuperação extrajudicial foi estruturado em diálogo com os principais credores quirografários. As possíveis medidas para reequilibrar as finanças incluem:
- Aporte de capital pelos acionistas
- Transformação de parte da dívida em ações da empresa
- Troca de débitos por novos prazos de pagamento
- Reestruturação societária
- Venda de ativos
Paralelamente, a companhia avalia uma proposta de capitalização liderada pela Shell, no valor total de R$ 4 bilhões (R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de um veículo ligado à família Ometto).
O CEO da Raízen, Marcelo Martins, afirmou que as negociações com credores e acionistas avançam, buscando uma “solução satisfatória para o mercado que resolva definitivamente o problema”. A controladora Cosan, por sua vez, declarou que acompanha o processo como acionista, mas não participará diretamente da capitalização em discussão.
A empresa reforça que todas as suas operações continuam sendo conduzidas normalmente durante o processo.