A Raízen, uma das maiores empresas integradas de energia do Brasil, anunciou nesta quarta-feira (11) um pedido de recuperação extrajudicial. A empresa, conhecida por operar a rede de postos de combustíveis Shell no país, busca renegociar dívidas e reorganizar sua estrutura financeira, mas garante que todas as suas operações seguem normalmente.

Criada em 2011 como uma joint venture entre a Cosan e a Shell, a Raízen combina a produção de açúcar e etanol da Cosan com a vasta rede de distribuição de combustíveis da Shell. O acordo, avaliado na época em cerca de US$ 12 bilhões, foi aprovado pelo Cade em 2012, com participação igualitária entre as sócias.

O nome da empresa é uma junção das palavras “raiz” e “energia”, refletindo sua origem no setor sucroenergético e sua atuação no mercado de energia.

Onde a Raízen atua?

A companhia possui uma atuação diversificada e integrada:

  • Produção de Energia e Biocombustíveis: Produção de açúcar, etanol de primeira e segunda geração (E2G), bioeletricidade e biogás.
  • Distribuição de Combustíveis Shell: Responsável pela distribuição e comercialização da marca Shell no Brasil, Argentina e Paraguai.
  • Infraestrutura Logística: Conta com 68 bases de abastecimento em aeroportos e mais de 70 terminais de distribuição de combustíveis em todo o Brasil.
  • Varejo e Mobilidade: Administra as lojas de conveniência Shell Select e Shell Café, além do aplicativo Shell Box para pagamento e fidelidade.
  • Mercado Corporativo: Oferece soluções de gestão de frotas e abastece setores como agronegócio, mineração, indústria e aviação.

Nos últimos anos, a Raízen também ampliou investimentos em projetos de transição energética, como energia solar e biogás, e expandiu sua presença internacional, adquirindo ativos da Shell na Argentina em 2018 e atuando no Paraguai.

Desafios Financeiros e Mercado

A empresa emprega mais de 46 mil pessoas e cultiva cerca de 1,3 milhão de hectares de cana-de-açúcar. No entanto, enfrenta pressões financeiras significativas. Na Bolsa brasileira (B3), suas ações preferenciais (ticker RAIZ4) acumulam uma queda de mais de 70% nos últimos anos. Nesta quarta-feira, os papéis abriram em queda, com desvalorização de 35,80% apenas em 2026, e o valor de mercado da companhia está em aproximadamente R$ 5,38 bilhões.

A Cosan, controlada pela família do empresário Rubens Ometto (50º mais rico do Brasil segundo a Forbes), é uma das sócias majoritárias. Recentemente, a holding familiar firmou acordos com fundos como BTG Pactual e Perfin para um aporte de capital visando reduzir o endividamento do grupo.

O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen envolve dívidas na ordem de R$ 65,1 bilhões, marcando um momento decisivo para a trajetória desta gigante do setor energético brasileiro.