Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, é o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a ex-primeira-dama Marisa Letícia. Figura recorrente nos bastidores políticos desde o primeiro governo petista, ele voltou ao centro das atenções após a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovar a quebra de seu sigilo bancário.

A medida foi aprovada na manhã da quinta-feira (26) após intenso debate entre parlamentares. A decisão ocorre no contexto das investigações sobre supostas irregularidades em descontos do INSS, apuradas na Operação Sem Desconto da Polícia Federal.

O que motivou a quebra de sigilo?

O filho do presidente entrou na mira de parlamentares da oposição após a PF apreender mensagens trocadas entre Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. As conversas teriam menções a ele.

Segundo o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), há suspeitas de que Fábio Luís tenha atuado como “sócio oculto” de Antônio Camilo. Em uma mensagem interceptada, ao ser questionado sobre o destinatário de um pagamento de R$ 300 mil à empresa de Roberta, Camilo teria respondido tratar-se de “o filho do rapaz”.

A defesa de Lulinha

A defesa de Fábio Luís protocolou, na quarta-feira (25), um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso aos autos do inquérito que apura as irregularidades. Em nota, os advogados afirmaram que ele “não tem nenhuma relação com as fraudes do INSS, não participou de fraudes ou desvios e não recebeu valores dessa fonte criminosa”.

Eles também destacam que, apesar de não ser alvo da operação “Sem Desconto”, o empresário tem sido alvo de “matérias de teor acusatório e difamante” com trechos isolados do inquérito sigiloso.

Contexto das investigações

Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, é investigada por supostamente ter recebido pagamentos do “Careca do INSS” para atuar junto a órgãos de saúde na venda de produtos de cannabis medicinal. A dupla tentaria fechar um contrato sem licitação no Ministério da Saúde para fornecimento desses medicamentos ao SUS.

Uma testemunha citou o nome de Fábio Luís, afirmando que ele teria atuado com Antônio Camilo para “destravar negócios” no ministério.

Trajetória profissional

Formado em Biologia pela Universidade Paulista (UNIP), Lulinha começou a carreira como monitor no Zoológico de São Paulo. Posteriormente, ingressou no ramo empresarial como sócio da Gamecorp, depois rebatizada como G4 Entretenimento, empresa que produzia conteúdo para TV por assinatura, telefonia e internet.

Contratos milionários com grandes empresas de telecomunicações, especialmente a Telemar/Oi, colocaram seu nome no centro de disputas políticas e jurídicas que se arrastam há anos. Durante a Operação Lava Jato, ele foi citado em acusações de recebimento de dinheiro, mas nada foi comprovado.

Tensão na CPMI

A sessão que aprovou a quebra de sigilo foi marcada por confusão e empurra-empurra entre parlamentares. Governistas protestaram diante do resultado, e alguns socos foram desferidos, sem atingir ninguém. Entre os envolvidos estavam o deputado Rogério Correa (PT-MG), o relator Alfredo Gaspar, e os deputados Evair de Melo (PP-ES) e Luiz Lima (Novo-RJ).

Em dezembro, a mesma CPMI havia rejeitado uma convocação de Lulinha para depor. Na ocasião, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) afirmou que os pedidos estavam baseados em “narrativas políticas” sem “nenhuma prova documental” que conectasse o filho do presidente ao “Careca do INSS”.