Quase metade dos brasileiros (43%) considera que a economia do país piorou nos últimos 12 meses, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (11). Apenas 24% dizem que ela melhorou no mesmo período, enquanto 30% afirmam que não houve mudança.
O resultado indica que dados positivos, como a menor taxa de desemprego da série histórica do IBGE, o rendimento médio em nível recorde e a inflação mais controlada, não foram suficientes para melhorar a percepção geral sobre a situação econômica.
O peso dos juros altos na percepção
Para economistas ouvidos, o aumento da taxa de juros — com a consequente desaceleração da economia e alta da inadimplência — foi determinante para reduzir o efeito positivo dos demais aspectos.
“Isso quer dizer o seguinte: o sujeito até está ganhando mais, o salário está indo bem, só que, dado o nível de endividamento das famílias, o dinheiro não rende”, diz o economista André Perfeito.
“Para as empresas é a mesma coisa: estamos vendo boa parte do lucro empresarial sendo drenado para pagamento de juros, o que faz com que o sentimento empresarial não fique bom.”
Para a economista Zeina Latif, os efeitos dos juros altos ainda aparecem na economia, com perda de ritmo em dados ligados ao consumo das famílias. “Não tem alívios. A classe média sente condições que não são ruins, mas também não há coisas positivas em curso. Mesmo no mercado de trabalho, é nítida a mudança de tendência na geração de vagas.”
Percepção sobre a economia: resultados da pesquisa
A Quaest perguntou sobre a percepção dos entrevistados sobre a economia nos últimos 12 meses. As respostas foram:
- Piorou: 43% (eram 43% em janeiro);
- Melhorou: 24% (eram 24%);
- Ficou do mesmo jeito: 30% (eram 29%);
- Não souberam/Não responderam: 3% (eram 4%).
Sobre a expectativa para os próximos 12 meses, os entrevistados disseram que a economia deve:
- Melhorar: 43% (eram 48% em janeiro);
- Piorar: 29% (eram 28%);
- Ficar do mesmo jeito: 24% (eram 21%);
- Não sabem/não responderam: 4% (eram 3%).
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 9 de fevereiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.
Preço dos alimentos e poder de compra
A pesquisa também avaliou a percepção sobre o preço dos alimentos. Para 56% dos entrevistados, os valores estão mais altos. Outros 18% avaliam que estão mais baixos e 24% disseram que os preços ficaram iguais.
Quanto ao poder de compra em relação a um ano atrás, 15% responderam que, com o que recebem hoje, estão comprando mais; 61% que estão comprando menos e 23% estão comprando a mesma quantidade.
Dificuldade para conseguir emprego
Os entrevistados foram questionados se está mais fácil ou mais difícil conseguir um emprego no último ano. Para 49% está mais difícil, mas para 39% está mais fácil. Outros 5% responderam que está igual.
Este dado contrasta com a taxa média anual de desemprego no Brasil, que ficou em 5,6% em 2025, o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012.
A pesquisa revela um cenário de desconexão entre indicadores econômicos objetivos e a percepção da população, fortemente influenciada pelo custo do crédito, o endividamento e a inflação de itens básicos, como os alimentos.