Uma pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (14) revela que a maioria dos brasileiros sentiu no bolso o aumento dos preços no mercado. Segundo o levantamento, 58% da população avalia que o preço dos alimentos subiu no último mês. Outros 24% afirmaram que os preços ficaram estáveis, enquanto 16% perceberam uma queda. Apenas 2% não souberam ou não responderam.
A pesquisa, encomendada pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de janeiro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.
O resultado contrasta com os dados oficiais de inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro, divulgado no dia 9, registrou alta de 0,33%, fechando o ano de 2025 em 4,26% – a menor taxa em sete anos e abaixo do teto da meta. O grupo “alimentação e bebidas” desacelerou significativamente, com alta de 2,95% em 2025 contra 7,69% em 2024.
Percepção sobre a economia e poder de compra
Além dos preços dos alimentos, a pesquisa abordou a percepção geral sobre a economia. Para 43% dos entrevistados, a situação econômica piorou nos últimos 12 meses, enquanto 24% acreditam que melhorou e 29% acham que ficou igual.
No entanto, há um otimismo cauteloso em relação ao futuro: 48% acreditam que a economia vai melhorar nos próximos 12 meses, contra 28% que preveem piora e 21% que esperam estabilidade.
Quando o assunto é poder de compra, a sensação de aperto permanece forte. Para 61% dos brasileiros, o dinheiro compra menos hoje do que há um ano atrás. Apenas 18% sentem que conseguem comprar mais, e 19% avaliam que a situação está igual.
Dificuldades no mercado de trabalho
O cenário do emprego também é visto com preocupação. Quase metade dos entrevistados (49%) avalia que está mais difícil conseguir um emprego hoje em comparação com um ano atrás. Por outro lado, 43% acreditam que está mais fácil, e apenas 3% veem a situação como igual.
Esses dados destacam o fosso entre os indicadores econômicos oficiais e a percepção no dia a dia das famílias, um fator que tradicionalmente ganha peso em períodos eleitorais.