O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta quarta-feira (4) que a Rússia pode interromper voluntariamente o fornecimento de gás natural para a Europa. A declaração foi feita em meio à alta global nos preços da energia, desencadeada pela crise geopolítica com o Irã, e como resposta aos planos da União Europeia de banir as importações de gás russo.

Os preços do petróleo e do gás dispararam após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã e as retaliações de Teerã contra países árabes vizinhos no Golfo. O conflito paralisou a navegação no estratégico Estreito de Ormuz e forçou a interrupção da produção de Gás Natural Liquefeito (GNL) do Catar e da maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita.

Putin vinculou a alta dos preços à “agressão contra o Irã” e às sanções ocidentais ao petróleo russo. Ele argumentou que os consumidores europeus estão agora dispostos a pagar preços mais altos pelo gás devido à instabilidade no Oriente Médio, criando uma oportunidade para a Rússia redirecionar seus suprimentos.

“Agora outros mercados estão se abrindo. E talvez seja mais vantajoso para nós parar de abastecer o mercado europeu neste momento. Para entrarmos nesses mercados que estão se abrindo e nos estabelecermos neles”, disse o presidente russo, segundo transcrição divulgada pelo Kremlin. Ele ressaltou, no entanto, que se tratava de uma “reflexão em voz alta” e que instruiria o governo a estudar a questão.

A Rússia, detentora das maiores reservas de gás natural do mundo, já viu sua participação no mercado europeu encolher drasticamente. Antes da invasão da Ucrânia em 2022, o país fornecia cerca de 40% do gás canalizado da UE. Em 2025, essa fatia caiu para apenas 6%, sendo substituída por fornecedores como Noruega, Estados Unidos e Argélia.

Putin afirmou que a Rússia permanece um “fornecedor confiável”, mas que o “caos energético” atual levou ao surgimento de compradores dispostos a pagar preços premium. “Se surgirem compradores desse nível de qualidade, então eu acho, e até tenho certeza, que alguns fornecedores tradicionais, como os americanos e as empresas americanas, certamente deixarão o mercado europeu em busca de mercados que paguem mais”, declarou.

Com a Europa se afastando, Moscou tem intensificado sua parceria energética com a China, o maior consumidor mundial. Putin reiterou o compromisso de fornecer energia a “parceiros confiáveis”, citando especificamente países da Europa Oriental, como Eslováquia e Hungria.