O Partido dos Trabalhadores (PT) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não têm um plano alternativo para a disputa pelo governo de São Paulo em 2026. A estratégia é insistir na candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mesmo diante da alta probabilidade de uma derrota caso o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) busque a reeleição.

Tarcísio de Freitas reúne condições consideradas favoráveis: controle da máquina pública, índices de aprovação em torno de 60% e o histórico eleitoral antipetista no interior paulista, uma barreira que o PT não consegue transpor desde 1982. A legenda já apresentou nomes como Lula, Eduardo Suplicy, Marta Suplicy, José Dirceu e o próprio Haddad para o cargo, sem sucesso.

A avaliação interna do PT é que, diante de incertezas em outros estados estratégicos como Minas Gerais – onde Lula ainda busca convencer o senador Rodrigo Pacheco (PSD) a concorrer –, São Paulo não pode ser um palco de experimentos. A aposta em Haddad é vista como a mais segura.

Em 2022, Haddad foi ao segundo turno contra Tarcísio e venceu na capital paulista. Para a cúpula petista, uma eventual derrota dele em 2026, considerada o cenário mais provável, não colocaria em risco a candidatura à reeleição de Lula à Presidência. Aliados do presidente argumentam que, na última eleição nacional, Lula venceu por 2 milhões de votos, mas perdeu em São Paulo por 2,6 milhões. Uma diferença maior no estado poderia ter inviabilizado a vitória nacional.

Portanto, a missão de Haddad seria repetir o desempenho de 2022: chegar ao segundo turno, vencer na capital e conter a diferença de votos para assegurar a reeleição de Lula no plano nacional. A crença é que qualquer outro nome poderia sofrer uma derrota mais ampla, que contaminaria a votação presidencial.

No entanto, aliados de Haddad expressam preocupação. Eles temem que uma nova derrota estadual possa “queimar” politicamente o ministro, que é cotado como sucessor de Lula na disputa presidencial de 2030, caso o presidente seja reeleito. O argumento é que perder para o mesmo adversário duas vezes daria munição para os opositores rotularem Haddad como “freguês” de Tarcísio.

O núcleo próximo a Lula rebate que o cenário presidencial para Haddad em 2030 só se concretizará se Lula vencer em 2026. Para esse grupo, cada eleição é um capítulo à parte. Caso Lula seja reeleito, a expectativa é que Haddad assuma um cargo de alta visibilidade, como a Casa Civil, para se projetar para a disputa de 2030.

Enquanto isso, a composição da chapa nacional para 2026 começa a se desenhar. Geraldo Alckmin deve ser o candidato a vice na reeleição de Lula. Simone Tebet, antes cotada para a vice, pode concorrer ao Senado. Alexandre Padilha, que ficou em terceiro lugar na disputa por São Paulo em 2014, deve permanecer no Ministério da Saúde.

O cenário, portanto, está desenhado para Haddad. O PT não vislumbra um plano B e Lula quer o ministro mais uma vez no front paulista, mesmo sob o risco calculado de uma derrota.