A menos de 70 dias do prazo para que Cláudio Castro (PL) renuncie ao cargo de governador do Rio de Janeiro, caso queira concorrer ao Senado, o cenário político fluminense se movimenta para definir quem assumirá o Palácio Guanabara até as eleições de outubro.

A eventual saída de Castro abre caminho para uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), uma vez que o estado está sem vice-governador desde a posse de Thiago Pampolha no Tribunal de Contas, e o presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), está afastado após operação da Polícia Federal.

Diante da necessidade de montar um palanque forte para a reeleição do presidente Lula (PT) no estado, o partido avalia lançar o secretário de Assuntos Parlamentares, André Ceciliano, como governador interino. Ceciliano, que presidiu a Alerj de 2019 a 2023, ainda mantém grande influência sobre os deputados estaduais, que serão responsáveis pela eleição indireta.

Para o PT, a medida é estratégica para garantir o controle da máquina pública fluminense a favor da campanha de Lula e também como forma de pressionar o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo. O partido avalia que Paes, que precisará de votos no interior mais alinhado ao bolsonarismo, pode evitar uma associação muito próxima com Lula durante a campanha.

Enquanto isso, o governador Cláudio Castro defende seu secretário de Casa Civil, Nicola Miccione, para o cargo interino, por entender que ele não ameaçaria os planos de Paes. Já o secretário das Cidades, Douglas Ruas, também é cotado, mas sua possível candidatura à reeleição em outubro poderia criar um obstáculo adicional para o prefeito carioca.

O cenário permanece em aberto, com Paes adotando uma postura de observação, aguardando os desdobramentos tanto no campo petista quanto na direita, que também se encontra dividida sobre o assunto.