Com três governadores no páreo presidencial, o PSD busca se consolidar como a principal alternativa para o eleitorado de direita não alinhado ao bolsonarismo. No entanto, pesquisas recentes indicam que este segmento ainda concentra suas preferências majoritariamente no senador Flávio Bolsonaro (PL).
A filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ampliou o leque de pré-candidatos do partido, que já contava com Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS). A decisão final sobre quem será o candidato do partido está prevista para abril.
O movimento é visto como o mais relevante no campo da direita desde o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para enfrentar Lula (PT) na tentativa de reeleição. A articulação também é interpretada como uma tentativa de construir uma opção ao bolsonarismo, especialmente após o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ter descartado uma candidatura presidencial para buscar a reeleição.
Os três governadores do PSD afirmam que o candidato do partido deve buscar conquistar o voto do eleitor de centro-direita para superar Flávio Bolsonaro e chegar a um segundo turno contra Lula.
Cenário das pesquisas
Dados da pesquisa Quaest de janeiro mostram um cenário desafiador para os nomes do PSD. Entre os entrevistados que se declaram da direita não bolsonarista (21% do total), Flávio Bolsonaro lidera com folga as intenções de voto em simulações de primeiro turno.
Num cenário com Lula, Flávio e Ratinho Júnior, o senador do PL tem 59% das intenções nesse segmento, contra 16% do governador do Paraná. Entre os bolsonaristas (12% do total), a vantagem é ainda maior: 82% para Flávio contra 7% para Ratinho.
Numa simulação com Caiado, os números são similares: Flávio tem 67% da direita não bolsonarista contra 7% do governador de Goiás. No grupo dos independentes (32% do total), que pode definir a eleição, Lula lidera, seguido por Flávio, com os nomes do PSD em posições menos expressivas.
Considerando o total de entrevistados, Lula lidera todos os cenários de primeiro turno, com Flávio consolidado na segunda posição. Nas simulações de segundo turno, o presidente também está à frente, sendo Tarcísio de Freitas o único a chegar mais perto, com 45% contra 38% de Lula.
Estratégia do PSD
Em entrevistas, os governadores do PSD detalharam sua estratégia. Ronaldo Caiado defendeu que lançar vários candidatos de oposição no primeiro turno é a melhor forma de derrotar Lula. Eduardo Leite argumentou que o candidato do partido deve representar uma “direita reformista, democrática e liberal”. Ratinho Júnior criticou a polarização entre lulismo e bolsonarismo, afirmando que esse embate não traz benefícios concretos para a população.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que a escolha do candidato não será definida apenas por pesquisas de intenção de voto, mas por um “conjunto de fatores”, incluindo perspectivas e relacionamentos políticos.