Dois meses após a Austrália implementar uma das leis mais rigorosas do mundo, proibindo o acesso de menores de 16 anos a plataformas como TikTok e Snapchat, um em cada cinco adolescentes ainda consegue burlar a regra. Os dados, revelados por um relatório da empresa de controle parental Qustodio, lançam dúvidas sobre a eficácia dos mecanismos de verificação de idade adotados pelas redes sociais.
O estudo, que monitorou o comportamento online de famílias australianas entre o final de 2024 e fevereiro de 2026, mostra que, embora o número de jovens de 13 a 15 anos nas plataformas tenha caído desde que a proibição entrou em vigor, em dezembro, uma parcela significativa permanece ativa. A persistência ocorre principalmente entre crianças cujos pais não bloquearam o acesso manualmente.
“Entre as crianças cujos pais não bloquearam o acesso, um número significativo continua a usar plataformas restritas nos meses seguintes à proibição”, afirmou a Qustodio no relatório enviado à Reuters.
A lei australiana, que está sendo observada e copiada por governos de todo o mundo, ameaça plataformas como Instagram, Facebook, Threads (da Meta), YouTube, TikTok e Snapchat com multas de até US$ 35 milhões se não impedirem o acesso de menores de 16 anos.
Um porta-voz do eSafety Commissioner, órgão regulador da internet no país, reconheceu os relatos e afirmou que a instituição está “interagindo ativamente com as plataformas e seus provedores de garantia de idade… enquanto monitora possíveis falhas no sistema que possam representar violação da lei”.
O governo australiano e pelo menos duas universidades conduzem estudos para avaliar o impacto da medida, mas ainda não divulgaram dados oficiais. Enquanto isso, o relatório da Qustodio oferece um dos primeiros vislumbres concretos dos desafios enfrentados na aplicação da proibição.