A indústria automotiva brasileira encerrou 2025 com uma produção de 2,644 milhões de veículos, registrando um crescimento de 3,5% em relação ao ano anterior. O desempenho, divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), representa o maior volume desde 2019, embora tenha ficado abaixo da projeção inicial de 7,8%.

“Tínhamos projetado um aumento de 7,8% e fechamos em 3,5%. É um ano que esperávamos mais, mas ainda assim temos um ano positivo”, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea. O crescimento foi puxado principalmente pelos veículos leves, enquanto a produção de pesados recuou 9,9%.

Exportações em Alta e Balança Comercial Positiva

Um dos destaques do ano foi o desempenho das exportações, que atingiram 528.827 unidades, um salto de 32,1% em relação a 2024 e o melhor resultado desde 2018. A Argentina liderou as compras, com 302.572 veículos (alta de 85%), seguida por México, Colômbia, Uruguai e Chile.

Em contrapartida, as importações também cresceram, totalizando 497.765 veículos – o maior volume em 11 anos. A China ampliou sua participação de forma significativa, respondendo por 37,6% das importações, enquanto a Argentina manteve a liderança com 200.335 unidades.

Expansão das Marcas Chinesas e Preocupações com a Cadeia Produtiva

O aumento das importações chinesas está diretamente ligado à chegada de seis novas marcas ao mercado brasileiro em 2025: Denza, MG Motor, GAC, Leapmotor, Omoda & Jaecoo e Geely. No entanto, a Anfavea demonstra preocupação com o modelo de produção via kits prontos (CKD/SKD), que pode impactar negativamente a cadeia de suprimentos nacional.

“A nossa preocupação é um empobrecimento da cadeia de suprimentos brasileira. Os kits chegam prontos, e toda a cadeia anterior às montadoras é afetada”, alertou Calvet.

Perspectivas Conservadoras para 2026

Para o ano de 2026, a Anfavea projeta um crescimento mais contido da produção, da ordem de 3,7%, refletindo um cenário de “otimismo contido” diante de incertezas geopolíticas e tributárias. A previsão é de que a produção de automóveis e comerciais leves suba 3,8%, enquanto a de veículos pesados tenha uma alta modesta de 1,4%.