A primeira pesquisa Quaest do ano eleitoral, divulgada em janeiro de 2026, traça um panorama complexo para a disputa presidencial. O presidente Lula (PT) mantém a liderança em todos os cenários testados, mas a avaliação de seu governo segue em empate técnico e a maioria dos entrevistados (56%) não acredita que ele mereça um novo mandato.

O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos e realizado com 2.004 pessoas entre 8 e 11 de janeiro, também revela movimentações importantes no campo oposicionista. O senador Flávio Bolsonaro (PL) consolida-se como o segundo nome mais forte, enquanto o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) surge como o adversário mais competitivo para Lula em um eventual segundo turno.

O que os números dizem para Lula e o PT

A aprovação do governo Lula está em 47%, contra 49% de desaprovação – um empate técnico que se mantém desde outubro. Entre os eleitores independentes, grupo considerado decisivo, a desaprovação chega a 53%.

Nas simulações de primeiro turno, Lula oscila entre 35% e 40% das intenções de voto, dependendo do cenário de candidatos. Em segundo turno, ele venceria todos os adversários, mas com margens variadas. A disputa mais apertada seria contra Tarcísio, com vantagem de cinco pontos (44% a 39%). Contra Flávio Bolsonaro, a vantagem seria de sete pontos (45% a 38%).

Para Felipe Nunes, diretor da Quaest, o que pode favorecer Lula é a repetição de uma eleição polarizada contra a família Bolsonaro. “Se o cenário com Flávio se consolidar, Lula tende a disputar contra alguém da família. A seu favor, o sentimento dos 46% que têm medo da família Bolsonaro voltar ao poder”, avalia.

O crescimento de Flávio Bolsonaro na oposição

Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar em seis dos sete cenários de primeiro turno pesquisados. Em um cenário que inclui ele e Tarcísio, Lula lidera com 36%, Flávio tem 23% e o governador paulista fica com 9%.

O senador parece estar ganhando força inclusive entre a direita não bolsonarista. “Nesse segmento, Flávio já aparece com quase 50% das intenções de voto, contra 16% de Tarcísio e 10% de Ratinho [Júnior]”, destaca Nunes.

A crença na seriedade de sua candidatura também aumentou: 54% dos entrevistados agora acreditam que ele vai até o fim, ante 49% em dezembro. A rejeição ao senador, porém, ainda é a mais alta entre os oposicionistas, embora tenha caído de 60% para 55% no último mês.

Tarcísio: o nome mais competitivo no segundo turno

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é o candidato que apresenta a menor diferença para Lula em uma simulação de segundo turno – apenas cinco pontos (44% a 39%). Em dezembro, essa diferença era de dez pontos.

Entre os eleitores independentes, Tarcísio tem 36% e Lula, 34%. Na direita não bolsonarista, o apoio ao governador chega a 81%. “O grande trunfo do governador de SP seria o apoio crescente da direita bolsonarista no cenário contra Lula”, analisa Felipe Nunes.

A pesquisa sugere que a percepção pública favorece candidatos oposicionistas fora da família Bolsonaro. Enquanto 56% acreditam que Lula venceria facilmente contra um bolsonarista, em um cenário com um nome não bolsonarista da oposição, 45% apostam na reeleição do presidente e 43% no adversário – um quadro muito mais equilibrado.

O levantamento da Quaest, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, indica um ano eleitoral marcado por polarização, mas com espaço para manobras estratégicas tanto no campo governista quanto na oposição.