O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kleber Cabral, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) na tarde desta sexta-feira (20), por cerca de uma hora, por videoconferência.

A oitiva, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), é um desdobramento do inquérito que apura a divulgação de fake news. O depoimento ocorreu após Cabral ter concedido uma entrevista à GloboNews na última quarta-feira (18), na qual criticou a operação da PF contra auditores da Receita por suspeita de vazamento de dados sigilosos de ministros do Supremo.

Na entrevista, o presidente da Unafisco afirmou que medidas impostas aos auditores alvos da operação – como afastamento da função, uso de tornozeleira eletrônica e apreensão de passaportes – constrangem a categoria e impactam sua atuação. “Esse tipo de medida busca humilhar, constranger e amedrontar. Se você perguntar hoje quem está disposto a organizar um grupo de fiscalização para investigar autoridades, provavelmente não encontrará ninguém. Tornou-se menos arriscado fiscalizar membros do PCC do que altas autoridades da República”, declarou.

Segundo apuração da TV Globo, no depoimento à PF, Cabral prestou esclarecimentos sobre as colocações feitas durante a entrevista.

A operação da PF, cumprida na terça-feira (17) com quatro mandados de busca e apreensão em diferentes cidades, teve como alvo auditores suspeitos de violação de sigilo funcional, acesso indevido a sistemas de informação e vazamento de dados sigilosos. O STF autorizou a ação após constatar “diversos e múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Receita Federal e o vazamento das informações sigilosas”.

Em entrevista, Cabral detalhou um dos casos, relatando que um auditor confirmou ter acessado dados de um parente do ministro Gilmar Mendes, mas negou que se tratassem de informações sigilosas de contas bancárias. De acordo com ele, o acesso ocorreu em novembro do ano passado para verificar um vínculo de parentesco registrado em 2008, sem ultrapassar a tela inicial do sistema. “Pode fazer isso? Não pode”, admitiu Cabral, mas argumentou que o caso “não tem absolutamente nada a ver com os fatos que estariam sendo investigados”.

A Receita Federal informou, em nota, que uma auditoria está em andamento e que irregularidades já detectadas foram comunicadas ao relator do caso no Supremo, ressaltando que os sistemas são rastreáveis e permitiram identificar acessos indevidos.