Christian Meunier, presidente da Nissan para as Américas, defendeu que o governo brasileiro adote medidas protecionistas, incluindo taxação, para veículos importados da China. A declaração ocorre em meio à crescente presença de montadoras chinesas no mercado brasileiro, que intensificou a concorrência com fabricantes já estabelecidas no país.

“No fim das contas, o governo brasileiro precisa proteger a indústria no Brasil, as pessoas que trabalham no Brasil e a cadeia de suprimentos no Brasil”, afirmou Meunier em entrevista coletiva. “Não faz sentido permitir que carros importados sejam despejados no Brasil e compitam com os carros produzidos localmente.”

O executivo citou como exemplo recentes medidas adotadas pelo México e pelos Estados Unidos, que passaram a aplicar tarifas sobre importações chinesas. Ele sugeriu que o Brasil poderia seguir um modelo similar, com isenções condicionadas ao volume de produção local.

Apesar da defesa de barreiras comerciais, a Nissan mantém parte de sua linha no Brasil como importada do México, incluindo os sedãs Versa e Sentra e a picape Frontier. No entanto, a empresa reforçou seu compromisso com a produção nacional através de um investimento de R$ 2,8 bilhões em sua fábrica de Resende (RJ), que atua como hub de exportação para a América Latina.

O contexto das declarações é marcado por uma reestruturação global da Nissan, que incluiu cortes de custos bilionários e a troca de sua diretoria executiva. No Brasil, a marca enfrenta desafios para crescer, tendo sido ultrapassada em participação de mercado por Honda e BYD em 2024.