O mercado imobiliário residencial brasileiro registrou uma alta expressiva de 6,52% nos preços em 2025, segundo o Índice FipeZAP divulgado nesta terça-feira (6). Este é o segundo maior aumento anual dos últimos 11 anos, ficando atrás apenas do registrado em 2024 (7,73%).
A valorização superou a inflação ao consumidor estimada para o período, que foi de 4,18%, resultando em um ganho real (descontada a inflação) de 2,24% para os imóveis.
De acordo com Paula Reis, economista do Grupo OLX, o cenário está diretamente ligado ao bom desempenho da economia nacional em 2025, especialmente no mercado de trabalho. “O efeito da alta dos juros [Selic a 15% ao ano] foi parcialmente compensado pelo aumento da renda. O financiamento imobiliário ficou mais caro, mas continuou cabendo no orçamento de parte das famílias”, explica.
Os dados reforçam essa análise: a taxa de desemprego no trimestre até novembro foi de 5,2%, a menor da série histórica iniciada em 2012. Além disso, as projeções para o crescimento do PIB em 2025 foram revisadas para cima, de cerca de 2,04% para aproximadamente 2,3%.
Nenhuma cidade registrou queda nos preços
O levantamento, que monitora 56 cidades brasileiras com base em anúncios online, aponta que nenhum município apresentou queda nos preços dos imóveis em 2025. Em 2024, Santa Maria (RS) havia sido a única exceção, com recuo de 1,5%.
Entre as capitais, os maiores aumentos percentuais foram observados em:
- Salvador (BA): 16,25%
- João Pessoa (PB): 15,15%
- Vitória (ES): 15,13%
- São Luís (MA): 13,91%
- Fortaleza (CE): 12,61%
Por outro lado, as menores altas foram registradas em Brasília (4,05%), Goiânia (2,55%) e Aracaju (2,23%). Como esses reajustes ficaram abaixo da inflação estimada, essas capitais tiveram, na prática, uma queda real no valor dos imóveis.
Preço médio de venda e capitais mais caras
Em dezembro de 2025, o preço médio de venda do metro quadrado residencial nas 56 cidades analisadas era de R$ 9.611. Isso significa que um apartamento de 50m² custava, em média, R$ 480,5 mil.
Curiosamente, os imóveis de um dormitório apresentaram preço médio por m² (R$ 11.669) superior aos de dois dormitórios (R$ 8.622).
Considerando todas as cidades monitoradas, Balneário Camboriú (SC) lidera como a mais cara, com o m² a R$ 14.906. Já entre as 22 capitais medidas pelo índice, o ranking das mais valorizadas é:
- Vitória (ES): R$ 14.108/m²
- Florianópolis (SC): R$ 12.773/m²
- São Paulo (SP): R$ 11.900/m²
- Curitiba (PR): R$ 11.686/m²
- Rio de Janeiro (RJ): R$ 10.830/m²
No extremo oposto, a cidade com o metro quadrado mais barato é Pelotas (RS), com média de R$ 4.353. Entre as capitais, Aracaju (SE) tem o menor valor, a R$ 5.282/m².
Fonte: Índice FipeZAP. Dados completos disponíveis em g1.globo.com.