O Progressistas (PP), partido que tem adotado um discurso nacional de oposição ao presidente Lula, inicia movimentos de reaproximação com o PT em seis estados estratégicos. A estratégia visa liberar lideranças regionais para costurar as alianças mais vantajosas localmente, com foco principal no fortalecimento das bancadas na Câmara dos Deputados.

Segundo apuração, as conversas estão em andamento no Piauí, Paraíba, Maranhão, Ceará, Alagoas e Pernambuco. Em alguns estados, busca-se apenas neutralidade na eleição presidencial; em outros, como na Paraíba, já se discute um alinhamento formal com o palanque de Lula.

O movimento reflete uma clivagem histórica dentro do PP: enquanto lideranças do Norte e Nordeste tendem a se alinhar com governos de esquerda, quadros do Centro-Sul costumam se aproximar de projetos de centro-direita. Essa divisão interna dificulta uma posição nacional rígida e tem levado caciques do partido a defenderem uma postura pragmática de neutralidade presidencial.

No Piauí, estado do presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, o interesse é evitar que Lula atrapalhe o caminho político do senador. Situação similar ocorre em Alagoas, onde Renan Calheiros articula uma chapa majoritária. Na Paraíba, o candidato do PP ao governo, Lucas Ribeiro, já declarou que seu palanque será de Lula.

Lideranças partidárias afirmam que a definição final será adiada o máximo possível, próxima à janela partidária, para observar como se acomoda o tabuleiro político nacional e estadual. A criação de federações partidárias também pode alterar os cenários regionais.

O caso da Bahia ilustra bem o dilema do PP: o partido integra o governo de Jerônimo Rodrigues (PT), enquanto ACM Neto, da União Brasil, desponta como possível candidato ao governo estadual. Equilibrar alianças locais com um discurso nacional coerente se mostra uma tarefa cada vez mais complexa no atual sistema político fragmentado.