O Banco Central (BC) informou que as retiradas superaram os depósitos na caderneta de poupança em R$ 85,6 bilhões ao longo de todo o ano de 2025. Este é o quinto ano consecutivo de saída líquida de recursos da aplicação, e o valor representa a maior evasão desde 2023.

Os dados divulgados mostram que, em 2025, os depósitos somaram R$ 4,27 trilhões, enquanto as retiradas totalizaram R$ 4,36 trilhões. Com isso, o estoque total de valores depositados, ou seja, o saldo aplicado pelos poupadores, recuou para R$ 1,02 trilhão no fechamento do ano, ante R$ 1,03 trilhão em dezembro de 2024.

Impacto no Crédito Imobiliário e Mudanças nas Regras

A contínua saída de recursos da poupança tem reflexos diretos no mercado de crédito imobiliário. Pelas regras vigentes, 65% dos recursos captados pelos bancos via poupança devem ser direcionados obrigatoriamente para financiamento da casa própria. Com o volume total de recursos estagnado e a demanda por crédito aquecida, o governo anunciou, em outubro, mudanças no modelo.

Após um período de transição, o direcionamento obrigatório de 65% será extinto, assim como os depósitos compulsórios no Banco Central referentes a essa aplicação. A medida visa liberar gradualmente recursos que hoje ficam retidos no BC, possibilitando um aumento na oferta de crédito imobiliário.

Cenário Econômico e Baixa Atratividade

Essa fuga de capitais da poupança ocorreu em um ambiente de juros elevados, com a taxa Selic no maior patamar em quase 20 anos, inflação persistente e aumento da inadimplência e do endividamento das famílias. Paralelamente, a poupança perdeu competitividade frente a outras aplicações.

Com a Selic atualmente em 15% ao ano, o rendimento da poupança é limitado a 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), quando a taxa básica ultrapassa 8,5% ao ano. Em contraste, investimentos em renda fixa, como títulos públicos e CDBs, e a recuperação da renda variável em 2025, ofereceram retornos mais atrativos.

“A regra atual da poupança, que limita seu rendimento, em um cenário de juros elevados e inflação resiliente, explica a baixa atratividade”, afirma Francisco Weliton Barroso, consultor da Unicred Porto Alegre.

Perspectivas e Alternativas de Investimento para 2026

Especialistas apontam que a poupança deve ser vista principalmente como uma reserva para liquidez imediata. Para a construção de patrimônio, é crucial diversificar. “O Tesouro Selic tende a ser o substituto natural da poupança. Tem liquidez diária, risco baixo e acompanha a taxa básica de juros de forma mais eficiente”, avalia Marcelo Boragini, da Davos Investimentos.

Para investimentos de médio e longo prazo, títulos do Tesouro IPCA+ e prefixados devem ser protagonistas. Em um ambiente de expectativa de queda da Selic ao longo de 2026, a renda variável, como ações, ETFs e Fundos Imobiliários (FIIs), pode ganhar mais força, embora envolva maiores riscos.

Boragini também alerta para a volatilidade esperada no mercado em 2026, ano de eleições presidenciais. “A cada pesquisa eleitoral, a bolsa pode subir ou cair de forma brusca”, conclui.

Fonte: G1