Publicações antigas com críticas duras do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, contra Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, voltaram a circular nas redes sociais após a filiação do político ao partido. Caiado deixou o União Brasil na terça-feira (27) e anunciou horas depois sua entrada no PSD, comandado por Kassab.
As postagens, que não estavam mais disponíveis publicamente nesta quinta-feira (29), foram compartilhadas por meio de prints por perfis na rede X. Os ataques foram feitos entre 2012 e 2015, período em que Caiado fazia oposição ao grupo político de Kassab.
Em uma publicação de janeiro de 2015, Caiado chegou a chamar Kassab de “cafetão do Planalto” e afirmou que ele se moldaria “ao formato do poder”. No mesmo dia, em outra postagem, o então senador disse que Kassab tinha “caráter líquido” e transformava a política em “negociata, corrupção e fraude eleitoral”.
Na época das críticas, Kassab era ministro das Cidades no governo de Dilma Rousseff (PT). Após o impeachment, foi nomeado ministro da Ciência e Tecnologia no governo de Michel Temer (MDB).
Procurado pelo g1, Caiado justificou a nova aliança. “Os desentendimentos do passado não são mais do que nota de rodapé na extensa trajetória política que eu e Kassab construímos. O que buscamos agora é algo ainda maior: apresentar ao país um projeto verdadeiro de mudança”, afirmou o governador.
Com a entrada de Caiado, o PSD passa a contar com três governadores com pretensões presidenciais: Ratinho Júnior (Paraná), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e agora o próprio Caiado. Em entrevista à GloboNews, os três afirmaram que a escolha do candidato do partido será feita por meio de diálogo, sem votações internas, e deve ser definida até abril.
Kassab, que se define como um político pragmático e afirma que o PSD não é “nem de direita, nem de esquerda”, foi questionado sobre acusações de oportunismo. Ele justificou que, como o partido não teve candidato próprio em 2022, alguns membros fizeram alianças com o PT. “Não é oportunismo, não é um pé em cada canoa”, disse.
A filiação de Caiado ao PSD altera o cenário eleitoral e fortalece o partido como uma possível alternativa de centro-direita no cenário pós-bolsonarista, segundo análise de colunistas políticos.