Se a ideia de mudar de emprego tem passado pela sua cabeça, saiba que você não está sozinho. Uma pesquisa da Robert Half, divulgada em janeiro de 2026, revela que 61% dos profissionais brasileiros planejam buscar uma nova oportunidade. Esse desejo de mudança ajuda a explicar os altos índices de rotatividade e de pedidos de demissão voluntária no país.
Com um mercado de trabalho mais aquecido e a taxa de desemprego em 5,2% – o menor nível da série histórica do IBGE –, muitos trabalhadores se sentem mais confiantes para buscar melhores condições. Segundo o economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence, essa confiança também está atrelada à expectativa de crescimento da economia, projetada em cerca de 2% do PIB para 2026.
Esse cenário impulsiona um fenômeno marcante no Brasil: a alta rotatividade. Em outubro de 2025, a taxa de rotatividade atingiu 52,6%, o maior patamar já registrado, segundo análise de dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Imaizumi explica que o número reflete tanto o mercado aquecido quanto características estruturais da economia, como a predominância de ocupações com baixa qualificação, salários reduzidos e pouca perspectiva de crescimento.
As demissões voluntárias seguem em níveis elevados. Em outubro de 2025, 37,5% dos desligamentos no mercado formal foram por iniciativa do trabalhador. Entre os que planejam uma mudança, 72% pretendem permanecer na mesma área, enquanto 28% consideram uma transição de carreira.
Principais motivos para querer sair do emprego
A pesquisa da Robert Half apontou os seguintes fatores como os mais relevantes para quem deseja mudar de empresa, mas permanecer na área:
- Melhores oportunidades de crescimento (45%);
- Maior remuneração (42%);
- Novos desafios (31%);
- Possibilidade de trabalho remoto ou híbrido (31%);
- Pacote de benefícios mais atrativo (29%).
Para Imaizumi, o peso do salário é esperado, pois reflete a produtividade e a insatisfação com ganhos menores. No entanto, a decisão nem sempre é apenas financeira. Entre os jovens, as demissões voluntárias estão frequentemente ligadas à busca por novas oportunidades, falta de reconhecimento, questões éticas, estresse e pouca flexibilidade.
A idade é um fator crucial. Trabalhadores entre 18 e 24 anos permanecem, em média, apenas 12 meses no mesmo emprego. Em 2024, a rotatividade nessa faixa etária chegou a 96,2%. Paradoxalmente, embora profissionais com menor instrução relatem mais insatisfação, são os mais qualificados que mais pedem demissão, por terem maior capacidade de negociar e encontrar novas ofertas.
Para quem considera uma transição de carreira, os motivos são ainda mais focados em:
- Busca por maior remuneração (63%);
- Mais qualidade de vida (39%);
- Realização pessoal (29%);
- Vontade de aprender algo novo (27%);
- Mais flexibilidade (24%).
O que faz um profissional permanecer na empresa?
Do lado da retenção de talentos, a mesma pesquisa listou os principais fatores que mantêm um empregado:
- Benefícios e remuneração (52%);
- Flexibilidade no modelo de trabalho (46%);
- Equilíbrio entre vida pessoal e profissional (33%);
- Ambiente e cultura organizacional (31%);
- Oportunidades de crescimento (25%);
- Estabilidade (17%).
Para Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half na América do Sul, os dados mostram que, além da remuneração, fatores como bem-estar, desenvolvimento e flexibilidade são cruciais. Imaizumi complementa que benefícios não financeiros podem ser alternativas aos reajustes salariais, mas alerta para um “descasamento claro entre o que o trabalhador deseja e o que o empregador oferece”.
Planejamento é fundamental para quem quer mudar
Para quem pensa em pedir demissão ou mudar de carreira, a recomendação é cautela e planejamento. “A situação financeira da maioria dos brasileiros ainda é apertada. Antes de qualquer decisão, é fundamental fazer um diagnóstico das próprias finanças”, orienta Imaizumi.
O economista sugere tratar a recolocação como um projeto, que inclui organizar o currículo, usar ferramentas digitais, ampliar a rede de contatos e considerar oportunidades em outras localidades, sempre com um planejamento cuidadoso para mudanças mais significativas.
Fonte: G1 – Por que tantos brasileiros querem sair do emprego?