A carga tributária no Brasil atingiu um recorde histórico em 2024, representando 32,2% do PIB. Embora esteja abaixo da média dos países da OCDE (34,1%), supera a média da América Latina e Caribe (21,3%). A sensação generalizada, no entanto, é de que o alto pagamento não se traduz em serviços públicos de qualidade equivalente, gerando uma aversão aos tributos.
Um dos principais problemas apontados por especialistas é a desigualdade na forma de cobrança. Os impostos sobre consumo, que representaram 43,5% da arrecadação total em 2024 (R$ 1,64 trilhão), pesam proporcionalmente mais sobre a renda das famílias mais pobres. Enquanto isso, os tributos sobre renda, lucro e capital (9,1% do PIB) têm peso menor, resultando em uma alíquota efetiva média de apenas 20,6% para os mais ricos, contra cerca de 42,5% para o brasileiro médio.
Para aliviar esse impacto, especialistas destacam que a solução não está apenas em cortar impostos, mas em gastar melhor os recursos públicos. Um ponto crítico são os gastos tributários (isenções e benefícios fiscais), que somaram mais de R$ 540 bilhões no último ano, muitas vezes sem comprovação clara de retorno para a sociedade. A revisão desses benefícios poderia liberar recursos para uma distribuição mais eficiente.
Duas medidas em andamento são vistas como promissoras: o cashback tributário e a reforma do Imposto de Renda. O cashback, previsto para 2027, devolverá parte dos impostos sobre consumo diretamente para famílias de baixa renda, aliviando seu orçamento. Já a reforma do IR isentou totalmente quem ganha até R$ 5 mil mensais e reduziu a carga para rendas de até R$ 7.350, beneficiando mais de 10 milhões de pessoas, enquanto criou um imposto mínimo para rendas anuais acima de R$ 600 mil e passou a tributar dividendos elevados.
Em resumo, o caminho para reduzir o peso dos impostos envolve tornar a cobrança mais justa, revisar benefícios fiscais questionáveis e implementar mecanismos como o cashback, que devolvem recursos diretamente a quem mais precisa, enquanto se busca maior eficiência nos gastos públicos.