Ao refletir sobre onde gostaria de tomar uma taça de vinho para comemorar o aniversário de São Paulo, a escolha pareceu-me óbvia: o La Tartine. Este estabelecimento não é apenas um restaurante; é um capítulo da minha vida, um testemunho silencioso de décadas de memórias. Há 25 anos, cruzei pela primeira vez a sua porta, e desde então, tornou-se um refúgio constante na paisagem mutável da cidade.
O que mantém um cliente fiel durante um quarto de século? Não é apenas a consistência do menu, embora os clássicos franceses sejam executados com uma precisão reconfortante. É a atmosfera imutável, o acolhimento familiar dos proprietários que conhecem o seu nome e o seu pedido habitual, e a sensação de pertença que transcende a transação comercial. Num mundo de novidades efêmeras e tendências gastronômicas passageiras, o La Tartine representa a rara beleza da permanência.
Celebrar São Paulo num local com tanta história pessoal parece apropriado. A cidade evolui a um ritmo vertiginoso, mas espaços como este funcionam como âncoras, lembrando-nos do valor da continuidade e das relações construídas ao longo do tempo. Cada visita é um reencontro, não apenas com um prato favorito, mas com versões anteriores de mim mesma e com a narrativa partilhada de um lugar que resiste, elegante e discreto, à passagem dos anos.