O ex-ministro Raul Jungmann, uma das figuras mais respeitadas da política brasileira, faleceu neste domingo (18), aos 73 anos, em Brasília. A informação foi confirmada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), entidade que ele presidia desde 2022. A notícia gerou uma onda de homenagens e manifestações de pesar de colegas, amigos e instituições.
Com uma trajetória marcada por cinco passagens por ministérios, Jungmann deixou um legado de diálogo, ética e compromisso com o interesse público. A repercussão de sua morte ecoou nas redes sociais e em notas oficiais, destacando sua integridade e contribuição para o país.
Homenagens de colegas e autoridades
O ex-presidente Michel Temer, sob cujo governo Jungmann atuou, lamentou a perda: “Um brasileiro que soube servir ao país. Por onde passou deixou sua marca. Fosse como ministro da Reforma Agrária, ministro da Defesa e Segurança Pública, fosse como grande parlamentar. Tristeza no plano cívico, saudades no plano pessoal. Descanse em paz, Raul!”
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, destacou a amizade e a postura republicana: “Perco um amigo querido… Raul Jungmann foi um homem público de rara integridade e de extraordinária densidade republicana, sempre defendendo o Estado de Direito e a solução dos conflitos pela razão.”
Alexandre de Moraes, presidente em exercício do STF, também prestou condolências, lembrando a atuação conjunta de Jungmann na segurança das Olimpíadas do Rio de 2016. O Ministério da Justiça e Segurança Pública emitiu nota oficial enaltecendo os “relevantes serviços ao Estado brasileiro” prestados pelo ex-ministro.
Outras figuras públicas, como os ministros Paulo Teixeira e Silvio Costa Filho, os senadores Humberto Costa e Randolfe Rodrigues, o governador do Pará, Helder Barbalho, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, a ex-deputada Kátia Abreu e o ex-senador Roberto Freire, também manifestaram publicamente seu pesar e admiração pela trajetória de Jungmann.
Trajetória pública e legado
Natural de Pernambuco, Raul Jungmann dedicou mais de cinco décadas à vida pública. Iniciou sua militância política no antigo PCB e, ao longo da carreira, transitou por partidos como MDB, PPS e PMDB. Foi deputado federal por Pernambuco e vereador do Recife.
Nos governos de Fernando Henrique Cardoso, comandou os ministérios do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias. Já no governo Michel Temer, assumiu o Ministério da Defesa e, posteriormente, tornou-se o primeiro titular do Ministério da Segurança Pública, coordenando operações com as Forças Armadas.
Em sua atuação legislativa, destacou-se como vice-presidente da CPI dos Sanguessugas e líder da Frente Brasil Sem Armas. Embora tenha sido investigado por suspeitas de irregularidades no Ministério do Desenvolvimento Agrário, os inquéritos foram arquivados pela Justiça Federal.
Desde 2022, à frente do IBRAM, Jungmann liderou uma agenda de transformação do setor mineral, pautada pela sustentabilidade e pelos princípios ESG. Em nota, o Instituto lamentou profundamente a perda, descrevendo-o como um “homem público de estatura singular” e um defensor firme da democracia.
Raul Jungmann deixa esposa, filhos e um legado marcado pelo respeito ao debate democrático e pela busca constante do desenvolvimento sustentável do Brasil. O velório, conforme seu desejo, será reservado a familiares e amigos próximos.