O Palácio do Planalto avalia que questões de política externa e o cenário geopolítico global terão um peso significativo nos debates da disputa eleitoral deste ano. A complexidade do momento internacional, marcado por conflitos e tensões em diversas regiões, tem levado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a intensificar sua agenda diplomática.
Segundo interlocutores do governo, temas como as tensões na Venezuela, o conflito na Faixa de Gaza, as disputas na Groenlândia e a guerra na Ucrânia têm sido frequentemente abordados pelo presidente em discursos públicos, refletindo a percepção de que esses assuntos ressoam junto ao eleitorado.
Em janeiro, Lula realizou 14 telefonemas com chefes de Estado para tratar de política internacional, incluindo conversas com Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Donald Trump (Estados Unidos) e Emmanuel Macron (França). De acordo com o Planalto, este foi o maior volume de contatos do gênero em um único mês nos últimos mandatos.
Agenda Diplomática e Encontro com Trump
A expectativa de um novo encontro presencial entre Lula e Donald Trump, previsto para março, é vista como um momento-chave. Fontes da diplomacia brasileira indicam que o Brasil pretende pautar três assuntos principais: o combate ao crime organizado transnacional, a continuidade das negociações sobre produtos brasileiros afetados por tarifas americanas e a situação política na América Latina.
O governo avalia que a conversa será fundamental para organizar e reforçar a relação bilateral, buscando um equilíbrio entre defender os interesses nacionais e manter um canal de diálogo produtivo, mesmo diante de divergências.
Viagem ao Panamá e Multilateralismo
Em viagem ao Panamá para participar do Fórum Econômico da América Latina, Lula manteve agendas bilaterais com os presidentes da Bolívia, Rodrigo Paz, e do Panamá, José Raúl Mulino. Entre os temas discutidos estiveram o acordo Mercosul-União Europeia, a proposta de criação de um Conselho da Paz apresentada por Donald Trump e a situação na Venezuela.
A postura do governo brasileiro tem sido a de defender o multilateralismo e ampliar o protagonismo do país em debates sobre paz, segurança e comércio internacional. Lula tem advogado pela manutenção da soberania dos países e pelo respeito ao direito internacional, respondendo a ameaças de caráter territorial e tarifário sem adotar um tom de confronto direto.
Analistas ouvidos pela GloboNews avaliam que a intensa agenda externa fortalece a interlocução do Brasil no cenário global e contribui para a construção de parcerias estratégicas com impacto direto no país, um aspecto que a equipe de Lula acredita ser valorizado pelos eleitores.