O sistema de pagamentos instantâneos PIX consolidou-se como o principal meio de transação digital do Brasil em 2025, alcançando a marca histórica de R$ 35,36 trilhões em valores movimentados. O volume representa um crescimento expressivo de 33,6% em relação ao ano anterior, quando foram registrados R$ 26,46 trilhões.

Além do valor, a quantidade de operações também bateu recorde, totalizando 79,8 bilhões de transações no ano – um aumento significativo frente às 63,5 bilhões contabilizadas em 2024.

Em novembro de 2025, ao completar cinco anos de funcionamento, o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Renato Gomes, destacou que o país estava próximo de ter toda a população adulta utilizando a ferramenta. “É essencialmente quase todo adulto no país”, afirmou, ressaltando que a velocidade de adoção surpreendeu e que o PIX foi fundamental para incluir milhares de pessoas no sistema financeiro.

“Muita gente não usava as contas que tinha. Ou apenas recebia o salário, sacava tudo e só utilizava dinheiro. Depois do PIX, as pessoas perceberam a conveniência de se pagar as contas pelo celular e mudaram esse comportamento, passando, de fato, a usar suas contas”, explicou Gomes.

Evolução e funcionalidades do PIX

Reconhecido internacionalmente, o sistema evoluiu nos últimos anos com diversas funcionalidades:

  • PIX Cobrança: substitui o boleto, permitindo emissão e recebimento de pagamentos com conciliação automática.
  • PIX Saque e PIX Troco: estabelecimentos comerciais funcionam como pontos de saque, descentralizando o acesso ao dinheiro.
  • PIX Agendado: facilita pagamentos periódicos e transferências com datas fixas.
  • PIX por Aproximação: permite pagamentos por contato físico, similar aos cartões de aproximação.
  • PIX Automático: democratiza o débito automático para pagamentos recorrentes.
  • Integração com Open Finance: amplia o alcance das transações digitais em diferentes plataformas.

Segurança e combate a fraudes

O crescimento do sistema também intensificou os desafios de segurança. Em 2024, o BC registrou R$ 6,5 bilhões em perdas por fraudes via PIX, um aumento de 80% em relação a 2023. Em 2025, ocorreu o maior ataque hacker do país, com desvio de R$ 800 milhões de instituições ligadas ao sistema.

Entre as medidas recentes de segurança estão:

  • Coincidência cadastral: exige que dados das chaves PIX coincidam com informações da Receita Federal.
  • Manual de penalidades reforçado: torna mais severas as sanções para instituições que descumprirem regras.
  • Restrições a intermediários tecnológicos: limites operacionais até cumprirem exigências de credenciamento.
  • Novas regras para restituição: bancos devem viabilizar devolução de recursos em casos de fraude ou falha operacional.

Novidades em estudo e futuras implementações

O Banco Central projeta novas funcionalidades para o sistema:

Para 2026:

  • Cobrança Híbrida: pagamento via QR Code que também permitirá opção de boleto (obrigatória a partir de novembro).
  • Duplicata: pagamento de duplicatas escriturais via PIX, facilitando antecipação de recebíveis.
  • Split tributário: adequação para pagamento de impostos em tempo real no âmbito da reforma tributária.

Previstas para 2027:

  • PIX Internacional: expansão definitiva para pagamentos transfronteiriços, interligando sistemas de pagamento instantâneos.
  • PIX em Garantia: crédito consignado para autônomos e empreendedores usando recebíveis futuros como garantia.
  • PIX por Aproximação Offline: pagamento por aproximação sem necessidade de conexão com internet.

O BC também discute a regulamentação do PIX Parcelado, que pretende ser uma alternativa ao cartão de crédito para aproximadamente 60 milhões de pessoas. A padronização das regras, ainda sem prazo definido, deve favorecer a competição entre instituições e reduzir juros.